Quem via esse rapaz na Escolinha já sabia que ele iria longe
Causou um certo estardalhaço, no fim da semana passada, a notícia de que o nobre deputado Tiririca foi indicado pelo seu partido, o PR, para ocupar uma vaga na Comissão de Educação e Cultura da Câmara.
Como sempre, pessoas conscientizadas ou nem tanto xingaram muito no Twitter, esbravejando ou ridicularizando a decisão do PR. Eu mesmo disse, na ocasião, que merecemos um bombardeio nuclear.
Merecemos mesmo, mas não exatamente por esse episódio. Nenhum absurdo protagonizado por Tiririca durante o mandato superará o absurdo-mor de ele ter sido eleito e, depois de eleito, diplomado, a despeito da prova de que é tão alfabetizado quanto os avós do Jeca Tatu.
E, convenhamos, a presença de um analfabeto na comissão de Educação talvez ajude um pouco. Afinal, todos os que até hoje ditaram os rumos do ensino no Brasil eram graduados, pós-graduados etc e a nossa educação é certamente uma das piores do mundo – apesar das sucessivas comemorações de bons resultados por parte do governo.
O assassinato do ensino brasileiro
A atual educação brasileira, vivo dizendo, é tão ruim por ser boa demais. A pedagogia reinante no MEC e nas secretarias estaduais e municipais é linda, poética, emocionante. As bandeiras principais são a inclusão dos pobres excluídos na sociedade, a formação do ser humano integral, a conscientização para a leitura crítica do contexto em que se vive.
[Pausa para pegar o lenço e enxugar as lágrimas]
Sabe quando essas diretrizes se tornaram norteadoras de rumos, leitor? Foi no fim da década de 80, quando a ditadura brasileira se rendeu e os “progressistas” assumiram o controle da educação.
A partir daí, os pedabobos e antropólogos trataram de “mudar o Brasil” implantando as teorias que tinham defendido com tanto ardor em suas monografias e poemas.
Aquela escola que tínhamos no Brasil (professoras ensinando, alunos aprendendo e sendo reprovados quando não aprendiam) antes de 1990 foi satanizada e associada à ditadura. A partir de então, muitos pedabobos passaram a denunciar os crimes da educação: a reprovação que exclui, a padronização do ensino, o “tecnicismo” etc.
Para eles, educação de verdade é a que liberta, a que inclui, a que forma o “ser humano integral”.
Eles conseguiram. Eles mudaram o Brasil.
Hoje, o bê-a-bá, os ditados, a memorização da tabuada, a repetição de palavras desconhecidas e a exaltação do mérito dos que aprendem foram banidos da grande maioria das escolas públicas.
Essas técnicas, identificadas com o “autoritarismo da ditadura”, foram substituídas por paternalismo, lazer, artesanato com material reciclado, brincadeiras de roda e atividades destinadas a desenvolver a afetividade e a “INCLUSÃO”.
Hoje, graças a esses pedabobos “progressistas” e suas teorias de m.i.e.r.d.a, nossas escolas públicas concedem, todos os anos, diplomas e certificados a analfabetos. Milhões de pessoas sem condições de entender esse post ou de resolver um problema matemático de 4ª série estão aí, jogadas na selva de pedra do capitalismo selvagem sem um canivete sequer para se defender.
Eis o “ser humano integral” almejado pelos pedabobos: um semi-analfabeto. Aqui reside o grande paradoxo da educação brasileira: preocupados em libertar o ser humano, em prepará-lo para a vida, em incluí-lo na sociedade, os educadores “progressistas” o condenaram à escravidão da falta de qualificação, o excluíram da competição por bons empregos e por um lugar ao sol.
Vamos importar escravos para fazer o trabalho intelectual
Um dirigente de empresa brasileira em formação
Já virou lugar-comum dizer que o Brasil vai se tornar uma das grandes potências mundiais nos próximos anos. Mas todos fazem uma ressalva: para isso, será preciso investir em educação.
E não estamos falando no salto da educaçao sonhado pelos pedabobos “progressistas”. A educação que o Brasil precisa ter para crescer e se desenvolver é a educação de antigamente: aquela voltada para o conhecimento de verdade. E por “conhecimento”, entenda-se: leitura e escrita, matemática, ciências, história e geografia, e não blá-blá-blá masturbatório.
Já dizia um antigo slogan da Unisinos: “Só o conhecimento garante a sua liberdade”.
Se lessem isso, os “progressistas” e “libertadores” me acusariam usando seus adjetivos detratórios favoritos. Me chamariam de “tradicional”, de “conteudista”, de “utilitarista”, de “tecnicista”. Ora, considero tais epítetos um elogio.
Sou tecnicista, com orgulho. É a técnica que nos distingue dos gibões e dos lêmures. Também sou libertador, por saber que só os resultados libertam.
A revolução educacional de que necessitamos é uma que forme pessoas aptas a assumir os postos de comando de uma potência, mais ou menos como a protagonizada pela Coreia do Sul: um ensino técnico, voltado para a eficiência e os resultados, como bem lembrou o Cardoso neste post.
Se não dermos esse salto, o nosso crescimento econômico só será possível se mandarmos uma frota de aviões cargueiros à China, à Índia e à Coreia, para importar mão-de-obra qualificada a granel.
Para que nos preocuparmos em formar pessoas com conhecimento se é mais barato importar nerds indianos já formados?
No fim do ano passado, em uma mesa de bar, meu amigo equatoriano Andrés Lasso previu, erroneamente, que em breve o Brasil estará importando trabalhadores de outros países para fazer os serviços mais abjetos, como ocorre com os latinos nos EUA.
Olhei pra ele e disse:
— É o contrário, Andrés. O Brasil vai importar estrangeiros para os melhores empregos e os brasileiros ficarão com os cargos mais baixos.
Entraremos para os anais de economia e de educação mundiais: seremos o primeiro país do mundo a se tornar uma superpotência com os nativos virando boias-frias e os imigrantes se tornando gerentes.
Defender a formação do “ser humano integral” em detrimento do aprendizado de verdade deveria dar cadeia.
A educação brasileira só será séria e eficaz quando for dirigida por pessoas que não considerem “eficaz” um xingamento.
E quando a máxima mais citada nos fóruns de educação for aquela de Rob Lowe em The West Wing, também citada pelo Cardoso:
Escolas deveriam ser palácios. A competição pelos melhores professores deveria ser selvagem; eles deveriam ganhar salários de 6 dígitos. Escolas deveriam ser incrivelmente caras para o Governo e absolutamente gratuitas para os cidadãos, como a Defesa Nacional.





















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