Apesar do esperneio de gente que ainda não entendeu como o Twitter funciona (ou de quem entendeu mas não sabe/não quer se expressar em 140 caracteres), não dá mais para pensar o compartilhamento de informações em tempo real sem o auxílio do nosso querido pássaro azul.
A cobertura da morte de Michael Jackson é um exemplo paradigmático.
No fim da tarde do dia 25 de junho, eu estava no trabalho quando ouvi, de relance, alguém perguntar:
- ‘Tão dizendo que o Michael Jackson morreu! Será que é verdade?
Minha reação foi automática, reflexa: corri para o Twitter. Milhares (quiçá, milhões) de pessoas ao redor do mundo fizeram a mesma coisa, pois o nome e/ou as iniciais de Michael Jackson já apareciam nos Trending Topics.
Naquele momento, a cascata de updates (tanto na timeline do Twitter quanto nos resultados de busca no Twiterfall) trazia, como de praxe, mais perguntas que respostas. A grande dúvida era: ele tinha mesmo morrido ou não? Aparentemente, todos os que noticiavam a morte do cantor se baseavam em UMA ÚNICA FONTE: o site TMZ.

Comecei a acessar sites de notícias do Brasil e dos EUA. Todos eles citavam o TMZ e adotavam aquela clássica postura defensiva: manchetes do tipo “Michael Jackson teria morrido, segundo site”.
Busquei ajuda, então, nas agências de notícias, esses bastiões do jornalismo, tão amadas pelos defensores do jornal impresso. Veja só em quem a Reuters se baseou para redigir o seu primeiro despacho:

Impossível, nessa hora, não estabelecer um paralelo com o episódio da “morte de Sílvio Santos”, boato que, após uma invasão hacker n’O Fuxico, se espalhou via Twitter e ganhou espaço nos sites de notícias. Não seria a “notícia” da morte de Jackson uma pegadinha de proporções globais? Foi aí que o pássaro azul do Twitter mostrou, mais uma vez, a que veio.
As updates relacionadas a Michael Jackson dominaram a timeline do Twitter e quase monopolizaram os Trending Topics:

O Twitter se converteu, por força da auto-organização, num fórum global sobre o estado de Michael Jackson. As informações e opiniões eram tuitadas e retuitadas em tempo real, e pelos links postados se podia ter uma noção geral da apuração dos sites de notícias, jornais e TVs. Além disso, os tweets eram a expressão de como os membros da twittosfera assimilavam a morte do cantor e refletiam as impressões de cada um sobre a vida e a obra de Jackson. Observemos, por exemplo, toda a riqueza de informação e significado deste pequeno segmento da timeline:

Temos, aí, compartilhamento de links mostrando em tempo real o progresso da apuração (3, 4 e 5), a indicação de que a grande mídia havia endossado a notícia (4 e 5), a expressão de opiniões sobre a vida e obra do artista e o que elas representaram para o imaginário individual e coletivo (6 e 7), encadeamento de mídias (1 e 3), tentativa de transformação do twitter em meio de entrega direta da notícia (8) e até a expressão de indiferença em relação ao tópico mais em voga no momento (o número 2, em que o tuiteiro convoca a twittosfera a falar de outra coisa… será que alguém topou?).
Numa palestra da semana acadêmica da Fabico, o Alex Primo falou sobre a inserção do Twitter no encadeamento midiático. Observem, neste tweet, como até os participantes ativos da twittosfera usam a informação da mídia tradicional como “voto de Minerva“, como veredicto: “se a CNN confirmou, então é verdade”.

Well, a verdade é que “Michael Jackson morreu na CNN 45 minutos depois de ter morrido no Twitter”, para usar uma frase que foi tuitada e retuitada à exaustão:


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Eduardo, parabéns pela estreia. Como sou um comentarista chato, já vou começar a encher o saco: o Michael morreu antes no TMZ, não no Twitter. Como demonstras, nesse caso, o twitter mostrou seu baita papel de compartilhamento de fontes, opiniões, indicação de novas perspectivas, enfim. O mais notável na cobertura da morte do homem foi a exclusividade da notícia em um SITE, de marca não-convencional, mas que a obteve porque faz BOM JORNALISMO: tinha ótimas fontes (confiáveis) onde os demais veículos não tinham. O New York Times, inclusive, assina sua rendição nesse artigo: http://www.nytimes.com/2009/06/27/business/media/27media.html?_r=1&emc=tnt&tntemail1=y
Abraços e que viva o eduardonunes.org
Tens razão, Lorea. O TMZ noticiou primeiro; palmas pra eles. Mas foi o twitter que tornou essa notícia o centro do debate. Aliás, eu nem sabia da existência do TMZ… fiquei sabendo graças ao twitter.
Tens razão, doutor. Aí está o papel do twitter. (em geral) Não é de fonte, mas de espalhamento/repercussão/discussão. Né?
Olha eu ali no post!
Ficou bem bacana o site.
Valeu, Guillermo
Um abraço,
Eduardo
concordo com o lorea, eduardo.
e discordo de ti, quando diz que o twiter tornou a notícia o centro do debate. ela por si só é o centro do debate. o twiter tornou a notícia o centro do debate… no próprio twiter!
Veja bem, meu caro Pedro, que a twittosfera não é uma bolha de plástico.
As pessoas que lá discutem são as mesmas que escrevem e leem jornais, assistem a programas de TV (e os produzem), conversam com os pais/filhos na sala, encontram os amigos no bar, esbarram em ti na saída do jogo Inter x Corinthians, etc.
Essas pessoas interagem com outras pessoas em toda parte, INCLUSIVE no Twitter. A ferramenta apenas potencializa os seus “ouvidos” e a sua “voz”, permitindo-lhes interagir com muitas outras pessoas de muitos outros lugares, e PAUTANDO, também, debates forada internet.
Negar agora a importância do Twitter para a informação, o debate e a formação de opinião da sociedade como um todo seria o mesmo que os assessores do Nixon dizerem, na época de Watergate: “Relaxa, presidente. Isso só é o centro dos debates enre os leitores do Washington Post. O resto da sociedade não está nem aí”.
meu velho, não neguei a importância de nada.
só creio que, da mesma forma como rolou uma corrente de informações no twiter, rolou no msn também (para dar um exemplo)
o twiter é mais uma ferramenta de troca de informações (além de outras coisas).
[...] o potencial desta ferramenta. O jornalista gaúcho Eduardo Nunes exemplifica isso muito bem com um post em seu [...]
[...] inverso: só aparecem na TV depois de serem debatidos exaustivamente no Twitter. Como escrevi no post sobre o Twitter e a morte de Michael Jackson, a reação instintiva que os tuiteiros têm quando ouvem um boato é correr para o Twitter a fim [...]
[...] desta ferramenta. O jornalista gaúcho Eduardo Nunes exemplifica isso muito bem com um post em seu [...]