24 de fevereiro de 2012

Ontem, a Cassia Zanon postou, no Twitter e no Facebook, a seguinte observação:
O link que acompanha a ponderação da Cassia leva a um post (para ler, clique aqui) sobre o Fórum Mundial de Bicicletas, realizado de 23 a 26 de fevereiro em Porto Alegre.
Vem sendo discutida, há algum tempo (antes mesmo do fórum), a necessidade de alternativas para salvar do caos o trânsito de Porto Alegre e das grandes cidades em geral – e a bicicleta é apontada por muita gente como um bom substituto para os veículos de combustão interna.
Pragmático que sou, acredito que as boas ideias são aquelas que funcionam, e por isso discordo de quem acha que a bicicleta seja uma alternativa viável em larga escala e que encher a cidade de ciclovias terá impacto significativo na melhoria do trânsito.
Primeiro porque, como bem colocou a Cassia, Porto Alegre não é o lugar mais adequado do mundo para a disseminação de ciclovias. E nem estou falando de ladeiras como a General Câmara, a Carlos Trein Filho ou a Lucas de Oliveira. Experimente subir pedalando artérias importantes como a Avenida Protásio Alves ou a Antônio de Carvalho ou a Cavalhada e concorde comigo.
“OK”, você dirá. “Vamos deixar as vias muito íngremes de lado e construir ciclovias nos lugares onde o relevo colabora. Ainda é um bom pedaço da cidade e isso ajudará a melhorar o trânsito em grandes regiões”.
Será?
Se espalhássemos ciclovias pela Assis Brasil, Sertório, Ipiranga, Bento Gonçalves, João Pessoa, Praia de Belas, Farrapos, etc, as pessoas utilizariam essas vias em larga escala fora dos finais de semana e feriados?
Não!
As pessoas iriam para o trabalho de bicicleta? Para a faculdade? Para um encontro romântico? As empresas e instituições de ensino não têm bicicletários, nem vestiários para os funcionários/estudantes ciclistas tomarem banho e se vestirem, nem armários para que eles guardem suas roupas, nem horários flexíveis o bastante para acomodar o tempo de banho e de troca de roupa.
Isso é uma questão fulcral nesse debate.
Ou você acha que todas essas moças que vão trabalhar ou estudar bem vestidas, bem maquiadas e bem calçadas vão trocar sua bela indumentária por trajes de ciclista, sua maquiagem por protetor solar, seus sapatos por tênis, seus penteados por capacetes e sua elegância por suor? Sem falar nos homens que precisam usar “roupa social”.
Como ir trabalhar de bicicleta numa cidade com um clima desses, onde, seja no verão escaldante, seja no inverno gelado e chuvoso, até sair de carro ou de ônibus é por vezes um suplício?
E, vá lá, mesmo que os patrões instalassem toda essa infraestrutura para garantir aos funcionários ciclistas o direito ao banho e à troca de roupa, mesmo que as jornadas de trabalho passassem a incluir o tempo necessário para o asseio pós suor ciclístico, você acha que as pessoas estariam dispostas a isso?
Muito dificilmente.
As ciclovias, se disseminadas pela cidade, seriam utilizadas por algumas pessoas durante a semana, tanto para lazer quanto para locomoção, nos finais de semana provavelmente seriam muito mais frequentadas, mas não são uma alternativa eficaz para desatar o nó górdio do trânsito porto-alegrense e das grandes cidades em geral.
Acredito que essas vias devam ser construídas assim mesmo. Não para salvar o mundo, mas para serem mais uma alternativa “verde” de mobilidade, necessariamente integrada a um sistema bem maior, com outros modelos.
Nada tenho contra bicicletas e ciclovias. Mas achar que isso funciona como meio de transporte de massa é ingenuidade.


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acho q ta certo
esses esquemas de aluguel de bicicleta espalhado pela cidade, com estacoes onde o sujeito pode retirar/devolver eh muito valido dentro desse teu contexto
Sua visão é simplista e limitada. Os ciclistas precisam de infraestrutura tanto quanto os carros e qualquer outro tipo de meio de locomocão precisa. Para andar de carro, precisa-se de muito mais que apenas ruas. Esqueceu dos postos de gasolina, oficinas mecânicas, estruturas de treinamento de condutores etc.? Nem por isso, todo esse custo agregado ao sistema o impossibilita. A bicicleta não é e nunca será a melhor ou a única solução para o sistema de transporte, muito menos o carro, todos farão parte do sistema. Agora se você desiste fácil e está feliz com sua solução simplista, não inclua os outros nisso.
É pra isso que a gente lê um bom post, pra ver uma pessoa escrever 6 linhas de comentário sem entender nada do que leu. “Acredito que essas vias devam ser construídas assim mesmo” está até em negrito.
Antes das ciclovias, vamos dar aulas de interpretação pro povo, produção!
Resumindo,não vão salvar o mundo, mas ainda que pequena, seguramente darão uma bela contribuição.
Concordo, Ramon
E não expressei bem no texto, mas toda ajuda é bem-vinda. Imagine que 20 pessoas trocassem o carro pela bicicleta… seriam, talvez, 20 carros a menos no trânsito…
Mas a ciclovia teria de ser apenas uma parte de um sistema bem maior, com bondes, trens, monotrilhos, aeromóvel, etc
http://www.ta.org.br/site/Banco/6clipping/CyclingFriendly.WMV
Há quem diga o contrário, é sempre bom lembrar a existência de diferentes pontos de vista!
O vídeo é interessante, nada apelativo, mas ilustra bem seu ponto.
Bons ventos!