
Geddel Vieira Lima ama a Bahia.
Muito.
E quem ama faz coisas estúpidas, já sentenciou o Dr. House, especialista na matéria.
Geddel ama tanto o seu Estado natal que, quando era ministro, moveu mundos e fundos para livrar a sua terra de catástrofes, para proteger o seu povo de intempéries, para evitar que desastres afetassem a vida no seu altaneiro torrão.
Ontem, matéria do Jornal Nacional (para assistir, clique aqui) mostrou que o TCU constatou um ligeiro “desequilíbrio” no envio de verbas do Ministério da Integração Nacional para prevenção de desastres nos Estados.
Depois do ensaio para o Apocalipse que aconteceu no Rio de Janeiro, algumas pessoas se perguntaram: “Pô, o governo federal não manda grana pra prevenir essas tragédias?”.
Manda. O problema é que o dinheiro vai quase todo para o mesmo lugar. Um deles, por acaso o Estado natal do ex-ministro Geddel, ficou com quase todo o bolo.
De 2004 a 2009, foram repassados aos Estados R$ 365 milhões para prevenção de catástrofes – e 37,25% destes recursos acabaram nos cofres da Bahia, um lugar que quase nada sofreu com chuvas.
Somos 27 “entes federados”. Um deles (que sequer é o mais necessitado) abocanhar sozinho 37,25% dos recursos é demais, não?
Pois bem, a coisa piora. Durante os dois últimos anos em que Geddel ficou com as chaves do cofre (2008-2009), a Bahia recebeu 64,6% do dinheiro. I mean: SESSENTA E QUATRO VÍRGULA SEIS POR CENTO dos recursos que deveriam ser divididos entre 27 entes federados.
Entendemos que, numa federação heterogênea, é natural que uns precisem mais do que outros, mas tal desequilíbrio só se justificaria se a Bahia fosse um lugar assolado ao mesmo tempo por tornados, enchentes, terremotos, vulcões, quedas de meteoritos e shows de axé (bem, talvez este último item justifique o favorecimento).
Mas o amor de Geddel Vieira Lima pela Bahia é ainda maior. Ele concorrerá ao governo do Estado nas eleições deste ano.

Entendeu agora, professor Girafales? Quando estava se despedindo do ministério, o ex-ministro mandou, para o Estado onde concorreria a governador, nada menos que dois terços dos recursos destinados à prevenção de tragédias em todo o país.
Num país sério, isso seria ou não seria considerado compra de votos?
Geddel diz que o desequilíbro existe porque a grana só é liberada para quem apresenta projetos ao ministério. E que o Nordeste é mais necessitado que o resto do país. Aham.
Viu? Dr. House tinha razão. Quem ama faz (e diz) coisas estúpidas. E nós pagamos a conta, como sempre.
[Na foto do topo do post, tirada de http://blogdogeddel.com.br, nosso abnegado ex-ministro sorri (ou tenta), rodeado por pequenas e amadas conterrâneas]

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Realmente, um verdadeiro estadista. Ama suas raízes como poucos.
A Bahia só tem a ganhar com ele como governador.
Links da semana – 9…
Geddel, um baiano, do blog do Eduardo Nunes. Uma aula de como se portar como um verdadeiro estadista….