Acredito que todas as pessoas que usam e-mail há mais de duas semanas já receberam uma mensagem (fake, evidentemente) sobre uma suposta brasileira que mora na Europa (ou escritora europeia que conhece o Brasil – a autoria muda, de acordo com quem manda o e-mail) e afirma que a vida no Velho Continente é igual ou pior à nossa.
Li, no Blog do Lucho, uma exaustiva análise da tal carta. O heroico esforço do blogueiro, apesar de ter resultado num post divertido e elucidativo, é desnecessário, por um simples motivo: é óbvio que a tal carta é um embuste. Não só pelas mentiras sobre a Europa, mas também pelas mentiras sobre o Brasil.
As rotinas básicas do meu dia-a-dia (andar pelas ruas de Porto Alegre e Viamão, lecionar em escola pública e trabalhar em uma agência de notícias) têm me deixado cada vez mais pessimista e desgostoso com nosso altaneiro torrão. Será que o David Coimbra estava certo quando disse que o Brasil se tornou o pior país do mundo?
(…)
Viver no país em que a malandragem é considerada virtude acaba gerando alguns choques culturais, quando nos deparamos com a quase ingenuidade dos moradores de outras terras.
Um exemplo (que, ao contrário daquela carta-spam, é real):
Uma colega da minha namorada hospedou, por algum tempo, uma islandesa (sim, daquele país com casinhas pitorescas que foi à falência por causa de três bancos que ajudaram a jogar zilhões de dólares no ralo de um buraco negro). Certo dia, andando numa rua de cidade brasileira, a descendente de vikings perguntou, intrigada:
- Por que aqui tem pessoas que vendem jornal?
E explicou à sua anfitriã que, na Islândia, os jornais são comprados naquelas máquinas em que a gente abre um compartimento com TODOS os exemplares, pega APENAS UM e deixa o dinheiro.
A brasileira retrucou:
- E as pessoas pegam só um? Elas não tiram os outros jornais da máquina?
A resposta explica muito sobre o que nos diferencia de outros povos:
- Pegar os outros jornais? Mas por que alguém faria isso?

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Ha! E o Binotto, que voltou maravilhado da Suíça, não cansa de narrar sua experiência com as lojas de roupas do país do canivete. Estarreceu-se com os impossíveis estabelecimentos. No mais inusitado deles, o vendedor deixara a loja aberta e saíra para o almoço. O cliente recolhia o que queria e deixava a respectiva quantia na gaveta de um descuidado caixa eletrônico. É uma fermentação cultural que nos levaria milênios para atingir.
O que tu quer dizer com isso tudo, cara? Tu quer acabar com os jornaleiros, é? hahaha
Abs
Ótima demonstração do que é uma cultura educada. Demétrio existe algo parecido com isso em uma das faculdades da USP: existe uma mesa na qual alguns alunos trazem alimentos industrializados ou não e lá os abandonam junto à pequenos cofrinhos com informações sobre preço. Dai os interessados pegam o que desejam e pagam nos respectivos cofres. Devo admitir ser um caso SUPER isolado e que não funciona 100%, mas ainda assim existe! Isso já é um alívio.
ps: Blog em construção
Isso simplesmente não ocorre aos cidadãos de países civilizados. Em San Francisco, fiquei passada com a esteira de bagagens, que fica NA PORTA do aeroporto. Tu pega a tua mala e vai embora. Pronto. Por que, afinal, alguém pegaria uma mala que não a sua?
Caramba! Que choque de cultura.
Vai demorar pelo menos uns 1000 anos para o Brasil chegar a esse patamar.
Se chegar.
Ufanista? Eu? Imagina!…
e confirmando como é a vida na Holanda e que tudo que está na carta não passa de baboseira, texto que confirma mais ainda que essa carta é um embuste e uma…