25 de abril de 2012

Hoje, dia em que o Supremo Tribunal Federal julga a constitucionalidade das cotas sociais e raciais em universidades públicas, eu não pretendia escrever sobre o tema, a respeito do qual tanto já se falou e se discutiu.

Mas tive a infelicidade de ler alguns comentários postados por leitores oriundos da ~classe média sofrida~ em uma matéria de zerohora.com e não pude conter o impulso de dizer algumas coisinhas para contrapor os seus ~argumentos~ contra as cotas  (era isso ou mandar todos à merda pessoalmente):

1) A falácia da defesa da igualdade

Os inimigos do sistema de cotas adoram invocar a causa da igualdade. Brandindo o artigo 5 da Constituição (que não se constrangem em desprezar noutras ocasiões), esses neo-Voltaires afirmam que as cotas são excludentes e que todos os candidatos devem ter igualdade de condições, pois a universidade pública deve ser para todos e todos são iguais por lei e blá blá blá.

Será que acabar com as cotas aumenta a igualdade?

Eu, que me formei em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (tendo entrado lá antes da adoção das cotas, para não dizerem que falo em causa própria), sei o quão ~igual~ é o corpo discente daquela instituição.

Devo ter tido, em oito semestres de estudos e dezenas de cadeiras cursadas, uns três ou quatro colegas negros, no máximo. E, dentre os brancos, quantos eram pobres? Pouquíssimos.

Qual é a “igualdade de condições” de uma competição em que pessoas que estudaram em colégios de ponta (e, o que é mais importante, em cursinhos preparatórios de ponta) disputam vagas com rivais oriundos de escolas públicas sucateadas?

É como uma corrida entre uma Ferrari F-50 e um Fusca com um pneu furado, ou uma luta entre Anderson Silva e um velhote reumático com o braço quebrado.

Um Estado que pretenda melhorar as condições de vida das parcelas historicamente desfavorecidas da sua população (e, se você vier com aquele ~argumento~ de que só é pobre quem não se esforça para mudar de vida, pedirei gentilmente que pegue suas coisas e vá embora desse blogue) tem o dever de desenvolver ações afirmativas para facilitar o acesso dessas pessoas ao ensino superior.

2) A falácia do “É preciso melhorar a educação pública”

A galera anti-cotas adora afirmar: “Não devemos estabelecer cotas; devemos é melhorar a educação pública”. Com isso, eles querem dizer que, se melhoradas, as escolas municipais e estaduais formarão vestibulandos capazes de competir de igual para igual com os rivais oriundos das classes média e alta.

“Melhorar a educação pública” seria a solução mágica que encheria de pobres e de negros as universidades públicas. Ledo engano.

Se assim fosse, os pais dos jovens de classe média e alta que estudam em colégios de ponta não precisariam gastar milhares de reais em cursinhos pré-vestibular.

É claro que devemos melhorar a educação pública. Mas mesmo uma escola pública de excelência não bastaria para aterrar  o abismo que há entre os pobres e aqueles que podem pagar mais pelo adestramento necessário para passar no vestibular (o que temos de fazer, além de melhorar o ensino público, é repensar a forma de seleção das universidades, mas isso é assunto para outro post).

3) A falácia da meritocracia

Darwinistas sociais de boutique afirmam que o vestibular é a seleção natural em sua forma mais pura, que os primeiros colocados conseguem as vagas porque tiveram mais mérito e que as cotas pioram o pool genético do corpo discente da universidade, pois garantem vagas a pessoas menos preparadas, que não merecem estar lá, que “perderiam se a luta fosse mano a mano”.

Mérito.

Palavrinha interessante.

Se  aceitarmos que os aprovados num vestibular sem cotas são os que têm mais mérito e dermos uma olhada nos listões dos cursos mais concorridos, chegaremos à seguinte definição de mérito (com raras exceções):

Mérito. s.m. 1. Qualidade daquele ou daquela que tem pais com dinheiro suficiente para pagar um bom cursinho pré-vestibular. 2. (popular) Costas quentes.

4) A falácia do “Dar cotas para negros é racismo”

Além das cotas sociais, há cotas raciais. E isso emputece muita gente. Dizem os anti-cotas que reservar vagas para negros é racismo, pois institucionaliza a ideia de que os negros não conseguem vaga sem as cotas etc.

Eles adoram dizer que escravidão é coisa do passado, que essas chagas já se fecharam, que no Brasil não há racismo, que a situação dos negros pobres e dos brancos pobres é a mesma e que todos têm as mesmas chances na disputa por um lugar ao sol.

Uma olhada na fila de matrícula das universidades e outra na fila do Bolsa Família mostra que a nossa realidade social é bem diferente. Numa dessas filas há muito menos negros que na outra.

Para entendermos o tamanho da dívida histórica em questão aqui, imaginemos que todos os negros brasileiros são uma única pessoa e que todos os brancos são outra pessoa (claro que o exemplo é imperfeito e a vida real tem muitas nuances, mas façamos esse esforço de generalização).

A pessoa branca (bem alimentada, com acesso a médicos, uma boa casa e, o que é mais importante, com armas modernas) sequestra a pessoa negra, a leva para uma terra distante da sua e, durante anos, bate nela, a estupra, amedronta, aprisiona, explora, mutila, desfigura.

Um dia, a pessoa branca diz à negra: “Você está livre. Agora somos iguais. Vá em paz. ”

E essa pessoa negra, desdentada, desnutrida, nua, mutilada, desnorteada, sem teto, sem instrução, passa a ser vizinha da pessoa branca, que agora se diz sua igual.

Qual das duas pessoas vai prosperar mais? Qual das duas pessoas vai passar no vestibular?

As cotas raciais existem para tentar reduzir um pouco esse abismo de séculos.

Conclusões

a) Numa coisa, os detratores das cotas têm razão. Elas não deveriam existir. Mas são uma medida necessária para equilibrar um pouco mais a disputa tão desigual pelas portas de acesso aos melhores  postos de trabalho.

As cotas devem ser uma medida temporária, até que cheguemos a uma sociedade um pouco mais justa, com uma educação pública de maior qualidade, com mais vagas na universidade pública e com um método de seleção menos imperfeito que o vestibular.

b) O sistema de cotas é imperfeito? É. Mas, com ele, pobres e negros estão entrando na universidade pública, o que não acontecia antes (ou acontecia muitíssimo menos). O bônus supera, com larga vantagem, o ônus.

c) Não basta reservar vagas aos pobres e negros e achar que seus problemas estão resolvidos. Pobres e negros que passam no vestibular não podem ser jogados à própria sorte. É claro que eles terão deficiências em relação aos seus colegas que cresceram viajando para a Europa e lendo Harry Potter em inglês.

A ação afirmativa deve continuar depois do ingresso na universidade. As instituições públicas devem pensar em maneiras de recuperar o déficit cultural dos alunos cotistas, dar-lhes bolsas, oportunizar monitorias e/ou aulas de reforço, abrir mais turmas para não penalizar os que precisam trabalhar.

d) Estou decidido. Vou estabelecer nas minhas relações pessoais uma reserva de vagas para gente com uma visão mais solidária e menos elitista de mundo.


Acredito que aquela historinha, tão repetida, de que somos um povo honesto e trabalhador oprimido por uma classe política cretina já foi superada.

Pelo menos em círculos mais esclarecidos, todos parecem concordar que só temos um Congresso com alto percentual de corruptos porque somos um povo com alto percentual de trambiqueiros. A ideia, aliás, foi muito bem sintetizada pela Letícia Duarte em um artigo na Zero Hora.

Ontem, ao voltar do trabalho, dei-me conta, muito tardiamente, de mais uma dimensão da engrenagem que reproduz e legitima o tortuoso “sistema ético” que compõe nosso imaginário popular (digo tardiamente porque não gosto de samba e, por isso, nunca tinha reparado nas letras desse gênero musical tão arquetipicamente brasileiro, tão definidor da identidade nacional).

Madrugada chuvosa em Porto Alegre. No  carro da firma, cinco pessoas semi-silenciosas e um aparelho de GPS tocando uma playlist de samba escolhida pelo motorista. Em silêncio, comecei a reparar no que cantavam aqueles artistas populares, alguns desconhecidos para mim, assim como algumas das canções.

A primeira das músicas, que eu nunca tinha ouvido, se dedicava a falar mal do “caguete”, o cara que dedura à polícia os contraventores do morro, tanto os grandes contraventores (traficantes) quanto os pequenos contraventores (os usuários de drogas ilícitas). Repare, leitor, na ética por trás disso. A contravenção da lei é exaltada; o cara que denuncia a contravenção é o vilão da história.

Depois dessa, vieram duas músicas que eu conhecia, e lá estavam os intérpretes falando mal, outra vez, do caguete.

Assim cantou Bezerra da Silva, no GPS do motorista da firma:

“Mas você não está vendo que a boca tá assim de corujão? Tem dedo de seta adoidado, todos eles a fim de ferrar os irmãos. Malandragem, dá um tempo. Deixa essa pá de sujeira ir embora. E é por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora.”

Encarnando o personagem que aperta um baseado mas tem medo de fumá-lo na frente dos policiais e dos caguetes, o artista se refere aos agentes da lei e aos seus informantes como “pá de sujeira”.

O debate sobre a criminalização do uso de drogas é, por si só, tema para vários outros posts. Aqui, me restrinjo a dizer que não posso apoiar um hábito que, além de ser prejudicial à saúde e ao sistema público de saúde, sustenta (e, por isso, implica em cumplicidade com) uma rede criminosa responsável por milhares de pequenas e grandes atrocidades perpetradas todos os dias.

Voltando ao carro da firma…

Depois de Bezerra apertar seu baseado, foi a vez de Diogo Nogueira repetir, exaustivamente, que “malandro é malandro e mané é mané”. A certa altura, os caguetes voltaram a “sofrer bullying”:

“Já o Mané, ele tem sua meta. Não pode ver nada, que ele cagueta. Mané é um homem que moral não tem.”

Percebemos aqui a inversão moral: na ética do malandro, o vilão não é quem burla a lei estabelecida, mas quem denuncia os que burlam a lei estabelecida.

Todos já passaram por isso na escola ou no trabalho. Existe um código ético tácito, que todos assimilam rapidamente ao começar a participar dos grupos sociais, que diz que não se deve dedurar os colegas que desobedecem às normas de conduta.

A ideia é: não devemos ser leais ao Estado, à empresa ou ao grupo formal de que fazemos parte, mas ao grupo informal formado por nós e nossos iguais. As instituições são vistas como  inimigas, como entidades opressoras, que podem e devem ser ludibriadas pelo malandro e seus amigos.

E todos querem ser malandros ou amigos dos malandros, como me ensinou Diogo Nogueira:

“Malandro é o cara que sabe das coisas. Malandro é aquele que sabe o que quer. Malandro é o cara que tá com dinheiro e não se compara com um Zé Mané. Malandro de fato é um cara maneiro que não se amarra em uma só mulher.”

A riqueza de significado dessa estrofe é impressionante. Renderia teses de Antropologia e Sociologia.

O malandro “tá com dinheiro”. Como um malandro, por definição, não é muito afeito ao trabalho, o que ele faz para conseguir dinheiro? A ideia, tão cara aos políticos corruptos, de se ganhar muito dinheiro sem esforço, mesmo que isso signifique (e quase sempre significa) cometer crimes, está entalhada no DNA do malandro arquetípico, o herói da nossa mitologia, o tipo de pessoa que todo brasileiro quer ser.

Além disso, o malandro “não se amarra em uma só mulher”. Mas as mulheres se amarram nele. Nas canções, nos filmes, nas novelas e na vida real, o malandro sempre se dá muito bem com as mulheres. O verso citado acima, além de fazer apologia ao adultério, retrata uma das recompensas que o malandro ganha por agir com malandragem.

Que homem não lembra do início da adolescência, quando começa a sua “caçada” pelos melhores espécimes do sexo oposto? Na escola ou nas festinhas do seu grupo de amigos, quem eram os preferidos das gurias, leitor? Os malandros.

Nós, homens, aprendemos desde o início da puberdade que ser malandro (com tudo que isso implica) é um dos pré-requisitos para ser bem sucedido no sexo – e até nas amizades.

Já o mané, o vilão da canção de Diogo Nogueira (sim, eu sei que não é ele o compositor nem o primeiro intérprete, mas não faz diferença), sempre se dá mal com as mulheres:

“Mané é um homem que moral não tem. Vai pro samba, paquera e não ganha ninguém“.

Mas a desgraça do mané não se restringe à falta de sorte no amor:

“Está sempre duro. É um cara azarado. E também puxa o saco pra sobreviver.”

Ao contrário do malandro, que sempre dá um jeito de conseguir dinheiro com a sua esperteza e moral flexível (para usar um eufemismo), o mané está sempre duro. E tem de puxar o saco para sobreviver.

Mais uma vez, voltemos à escola, leitor, para exemplificar outro pilar do imaginário brasileiro.

Lembra daquele seu colega que estudava, fazia o dever de casa, prestava atenção às explicações do professor e lhe fazia perguntas? Como esse aluno era chamado pelos colegas? Um dos seus epítetos, certamente, era “Puxa-saco”. E o Puxa-saco é um dos vilões de qualquer grupo, na ética do malandro.

Mais tarde, na empresa, você começou a conviver com alguns colegas de trabalho que cumprem os horários, fazem as tarefas que lhes são pedidas e até algumas que não são pedidas, dão sugestões ao chefe, se oferecem para participar de forças-tarefa e para fazer horas-extras quando necessário. Como eles são chamados? Puxa-sacos, Caxias, Baba-ovos, etc.

Num sistema ético em que, na visão do malandro, a instituição (seja a escola, a empresa, o governo) o oprime, os que agem com honestidade são considerados vilões, são imbecilizados, viram motivo de piada.

E, no contexto da produção artística brasileira “de raiz”, não é só o samba que retrata essa adesão em massa à ética do malandro.

Tomemos, por exemplo, as telenovelas.

Em novela, os mocinhos, manés, que são honestos, trabalhadores, sinceros e abnegados, passam o tempo todo se ferrando. O vilão, malandro, sem escrúpulos, desonesto, se dá bem a maior parte do tempo, e só é punido (e às vezes sequer é punido) no fim. Mas será que essa punição tem impacto sobre a opinião do espectador a respeito de certo e errado?

Numa novela que se desenrole por, digamos, seis meses, o vilão, malandro, passa cinco meses e três semanas ganhando dinheiro, obtendo os melhores cargos no trabalho, ficando com as melhores mulheres, angariando simpatias e rindo das desgraças do mocinho. Tudo parece dar certo para o malandro, como no samba.

Já o mocinho, mané, sofre por cinco meses e três semanas. Perde oportunidades profissionais, sexuais, é vítima de armações, é ridicularizado por todos, em especial pelo malandro. Na semana final, o mané dá a volta por cima, mas será que, aos olhos do espectador, uma semana de felicidade tem mais peso que 23 semanas de infortúnios?

Será que ser mocinho compensa, segundo as telenovelas, o samba e a vida real?

No país do jeitinho, da ética do malandro e da Lei de Gérson, parece que não. É desanimador viver num lugar assim.

Na próxima vez, vou levar um fone de ouvido e ouvir rock and roll no carro da firma.

[O post sofreu ajustes na formatação]

Atualização:

- O amigo jornalista Demétrio Pereira me lembra que não adianta ouvir rock and roll para escapar da apologia à desobediência das leis. Sim, ele tem razão. A opção pelo rock, no texto, funciona apenas como recurso estilístico. A transgressão das leis e a afronta ao “sistema” está presente no rock até mais que no samba – e é um tema recorrente em todas as formas de arte.

- Não estou, como insinuou o Demétrio em seu e-mail, propondo uma “censura artística”. Concordo com ele quando, citando a Escola de Frankfurt, me diz que toda manifestação artística é também política e os produtos culturais influenciam, de um modo ou de outro, os seus consumidores. A saída para evitarmos a sujeição das “massas” (termo tão démodé) aos ditames da indústria cultural está na educação. Só com instrução, “esclarecimento” e consciência crítica as pessoas poderão discernir entre valores benéficos e nocivos e fazer suas escolhas éticas com liberdade e racionalidade.

- De Roma, o padre Luciano Motti escreve que o malandro e o caguete estão no mesmo nível, e que a minha defesa do “dedo-duro” está equivocada. Reconheço que o texto dá margem a essa interpretação. De fato, há indivíduos que usam a “caguetagem” como meio de obter favorecimentos e vantagens pessoais. Estes seres nada mais são que malandros que se valem desse artifício para “se dar bem”. Obviamente, não é desse tipo de pessoa que estou falando quando defendo que se denuncie a contravenção.

- Demétrio e Pedro Heberle tocma em outro ponto interessante: a postura da polícia nos morros cariocas, nascedouro do samba, e nas periferias brasileiras em geral, não é exatamente um exemplo de retidão moral e dá vazão a uma resistência por parte dos moradores dessas comunidades. Mais uma vez, concordo com meus críticos, em parte. Ao defender os policiais como “defensores da lei”, eu estava me referindo apenas aos que realmente agem como tal, e não aos malandros que usam a farda para obter vantagens.

[Troca de e-mails entre o editor deste blogue e o seu amigo André Ribeiro, professor de Filosofia na UCS]

de André Ribeiro
para Eduardo Nunes
data 16 de maio de 2011 09:43
assunto lomba abaixo…
assinado por yahoo.com.br

Pronto! Agora tentar ensinar alguém a falar corretamente é, oficialmente, manifestação de “preconceito linguístico”!!!!!!!!!!!!!!!
Não existe erro!!!!!!!!!!!!!
O papinho-palha pós-modernoso vai nos fazer voltar para a pré-história! Logo estaremos buscando o almoço usando tacapes!!
Porque não se fecham as escolas de uma vez????

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec+defende+uso+de+livro+didatico+com+linguagem+popular/n1596949085987.html

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de Eduardo Nunes
para André Ribeiro
data 16 de maio de 2011 09:54
assunto Re: lomba abaixo…
enviado por eduardonunes.org

é o que eu digo.

e sou chamado de (ai ai ai) conservador

por isso que eu gosto da Hannah Arendt. Ela diz que a escola TEM QUE SER conservadora, pois é à escola que cabe preservar a civilização que construímos

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de André Ribeiro
para Eduardo Nunes
data 16 de maio de 2011 11:28
assunto Res: lomba abaixo…
assinado por yahoo.com.br

Não existe aprendizagem sem esforço. É superando obstáculos que as pessoas deixam de ser crianças e se tornam adultas. Esse “ensino” vai produzir algumas gerações de brasileiros ignorantes, burros e infantilizados.
Fico imaginando a auto-estima desses jovens, sendo passados para frente sem saber nada, e sabendo disso…
Esses pedabobos e suas boas intenções deviam é ser processados por crime contra a humanidade. Uma pessoa sem vocabulário para se expressar corretamente também não consegue pensar corretamente. A linguagem nos faz humanos; uma linguagem truncada significa seres humanos truncados.
Tô pensando em mudar de país.

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Sem mais.


Eis o produto acabado da nossa educação humanista, progressista e libertadora

Vivendo no país do medo

Escrito por Eduardo Nunes 0 Comentário

Há pouco, na Avenida Protásio Alves, em uma faixa de pedestres sem sinaleira, uma senhora e um cadeirante, um de cada lado da via, tentavam atravessar.

A mulher fez, com o braço, aquele sinal propagandeado pela prefeitura de Porto Alegre, implorando aos motoristas que parassem e lhe dessem passagem segura.

Os veículos pararam, a senhora começou a atravessar, o deficiente também, mas um pouco mais tarde.

Enquanto eles cruzavam a avenida, um Chevette veio costurando por entre os veículos parados e quase atropelou o cadeirante, freando sobre a faixa.

O homem continuou a travessia que quase lhe custou a vida, enquanto o motorista do Chevette praguejava. Havia uma faixa de pedestres pintada sob o seu carro parado.

Dá medo viver num país assim.