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	<title>Eduardo Nunes.org &#187; crônica do absurdo</title>
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<title>Eduardo Nunes.org</title>
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		<title>Malandro é malandro, mané é mané</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 20:07:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito que aquela historinha, tão repetida, de que somos um povo honesto e trabalhador oprimido por uma classe política cretina já foi superada. Pelo menos em círculos mais esclarecidos, todos parecem concordar que só temos um Congresso com alto percentual de corruptos porque somos um povo com alto percentual de trambiqueiros. A ideia, aliás, foi<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/malandro-e-malandro-mane-e-mane/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-7480" href="http://eduardonunes.org/periscopio/malandro-e-malandro-mane-e-mane/attachment/malandro/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7480" title="malandro" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/08/malandro-500x364.jpg" alt="" width="500" height="364" /></a></p>
<p>Acredito que aquela historinha, tão repetida, de que somos um povo honesto e trabalhador oprimido por uma classe política cretina já foi superada.</p>
<p>Pelo menos em círculos mais esclarecidos, todos parecem concordar que só temos um Congresso com alto percentual de corruptos porque somos um povo com alto percentual de trambiqueiros. A ideia, aliás, foi muito bem sintetizada pela Letícia Duarte em <a href="http://sentimentoempreendedor.blogspot.com/2011/06/um-tapa-na-cara-de-todos-nos.html" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>um artigo na Zero Hora</strong></span></a>.</p>
<p>Ontem, ao voltar do trabalho, dei-me conta, muito tardiamente, de mais uma dimensão da engrenagem que reproduz e legitima <strong>o tortuoso &#8220;sistema ético&#8221; que compõe nosso imaginário popular</strong> (digo tardiamente porque não gosto de samba e, por isso, nunca tinha reparado nas letras desse gênero musical tão arquetipicamente brasileiro, tão definidor da identidade nacional).</p>
<p>Madrugada chuvosa em Porto Alegre. No  carro da firma, cinco pessoas semi-silenciosas e <strong>um aparelho de GPS tocando uma playlist de samba escolhida pelo motorista</strong>. Em silêncio, comecei a reparar no que cantavam aqueles artistas populares, alguns desconhecidos para mim, assim como algumas das canções.</p>
<p>A primeira das músicas, que eu nunca tinha ouvido, se dedicava <strong>a falar mal do &#8220;caguete&#8221;</strong>, o cara que dedura à polícia os contraventores do morro, tanto os grandes contraventores (traficantes) quanto os pequenos contraventores (os usuários de drogas ilícitas). Repare, leitor, na ética por trás disso. <strong>A contravenção da lei é exaltada; o cara que denuncia a contravenção é o vilão da história</strong>.</p>
<p>Depois dessa, vieram duas músicas que eu conhecia, e lá estavam os intérpretes falando mal, outra vez, do caguete.</p>
<p>Assim cantou Bezerra da Silva, no GPS do motorista da firma:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Mas você não está vendo que a boca tá assim de corujão? Tem dedo de seta adoidado, todos eles a fim de ferrar os irmãos. Malandragem, dá um tempo. <span style="color: #ff0000;">Deixa essa pá de sujeira ir embora.</span> E é por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Encarnando o personagem que aperta um baseado mas tem medo de fumá-lo na frente dos policiais e dos caguetes, <strong>o artista se refere aos agentes da lei e aos seus informantes como &#8220;pá de sujeira&#8221;.</strong></p>
<p>O debate sobre a criminalização do uso de drogas é, por si só, tema para vários outros posts. Aqui, me restrinjo a dizer que não posso apoiar um hábito que, além de ser prejudicial à saúde e ao sistema público de saúde, sustenta (e, por isso, implica em cumplicidade com) uma rede criminosa responsável por milhares de pequenas e grandes atrocidades perpetradas todos os dias.</p>
<p>Voltando ao carro da firma&#8230;</p>
<p>Depois de Bezerra apertar seu baseado, foi a vez de Diogo Nogueira repetir, exaustivamente, que &#8220;<strong>malandro é malandro e mané é mané&#8221;</strong>. A certa altura, os caguetes voltaram a &#8220;sofrer bullying&#8221;:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Já o Mané, ele tem sua meta. Não pode ver nada, que <span style="color: #ff0000;">ele cagueta.</span> Mané é um homem que moral não tem.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Percebemos aqui a inversão moral: na ética do malandro, o vilão não é quem burla a lei estabelecida, mas quem denuncia os que burlam a lei estabelecida.</p>
<p>Todos já passaram por isso na escola ou no trabalho. <strong>Existe um código ético tácito,</strong> que todos assimilam rapidamente ao começar a participar dos grupos sociais, que diz que não se deve dedurar os colegas que desobedecem às normas de conduta.</p>
<p>A ideia é: não devemos ser leais ao Estado, à empresa ou ao grupo formal de que fazemos parte, mas ao grupo informal formado por nós e nossos iguais. <strong>As instituições são vistas como  inimigas, como entidades opressoras, que podem e devem ser ludibriadas pelo malandro e seus amigos</strong>.</p>
<p>E todos querem ser malandros ou amigos dos malandros, como me ensinou Diogo Nogueira:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Malandro é o cara que sabe das coisas. Malandro é aquele que sabe o que quer. Malandro é o cara que <span style="color: #ff0000;">tá com dinheiro</span> e não se compara com um Zé Mané. Malandro de fato é um cara maneiro que <span style="color: #ff0000;">não se amarra em uma só mulher</span>.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>A riqueza de significado dessa estrofe é impressionante. Renderia teses de Antropologia e Sociologia.</p>
<p>O malandro &#8220;tá com dinheiro&#8221;. <strong>Como um malandro, por definição, não é muito afeito ao trabalho, o que ele faz para conseguir dinheiro?</strong> A ideia, tão cara aos políticos corruptos, de se ganhar muito dinheiro sem esforço, mesmo que isso signifique (e quase sempre significa) cometer crimes, está entalhada no DNA do malandro arquetípico, <strong>o herói da nossa mitologia</strong>, o tipo de pessoa que todo brasileiro quer ser.</p>
<p>Além disso, o malandro &#8220;não se amarra em uma só mulher&#8221;. <strong>Mas as mulheres se amarram nele</strong>. Nas canções, nos filmes, nas novelas e <strong>na vida real</strong>, o malandro sempre se dá muito bem com as mulheres. O verso citado acima, além de fazer apologia ao adultério, retrata uma das recompensas que o malandro ganha por agir com malandragem.</p>
<p>Que homem não lembra do início da adolescência, quando começa a sua &#8220;caçada&#8221; pelos melhores espécimes do sexo oposto? Na escola ou nas festinhas do seu grupo de amigos, quem eram os preferidos das gurias, leitor? Os malandros.</p>
<p>Nós, homens, aprendemos desde o início da puberdade que <strong>ser malandro (com tudo que isso implica)</strong> é um dos pré-requisitos para ser bem sucedido no sexo &#8211; e até nas amizades.</p>
<p>Já o mané, o vilão da canção de Diogo Nogueira (sim, eu sei que não é ele o compositor nem o primeiro intérprete, mas não faz diferença), sempre se dá mal com as mulheres:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Mané é um homem que moral não tem. Vai pro samba, paquera e <span style="color: #ff0000;">não ganha ninguém</span>&#8220;.</strong></span></p></blockquote>
<p>Mas a desgraça do mané não se restringe à falta de sorte no amor:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Está <span style="color: #ff0000;">sempre duro</span>. É um cara azarado. E também <span style="color: #ff0000;">puxa o saco</span> pra sobreviver.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Ao contrário do malandro, que sempre dá um jeito de conseguir dinheiro com a sua esperteza e <strong>moral flexível</strong> (para usar um eufemismo), o mané está sempre duro. E tem de puxar o saco para sobreviver.</p>
<p>Mais uma vez, voltemos à escola, leitor, para exemplificar outro pilar do imaginário brasileiro.</p>
<p>Lembra daquele seu colega que estudava, fazia o dever de casa, prestava atenção às explicações do professor e lhe fazia perguntas? Como esse aluno era chamado pelos colegas? Um dos seus epítetos, certamente, era &#8220;<strong>Puxa-saco&#8221;</strong>. E o Puxa-saco é um dos vilões de qualquer grupo, na ética do malandro.</p>
<p>Mais tarde, na empresa, você começou a conviver com alguns colegas de trabalho que cumprem os horários, fazem as tarefas que lhes são pedidas e até algumas que não são pedidas, dão sugestões ao chefe, se oferecem para participar de forças-tarefa e para fazer horas-extras quando necessário. Como eles são chamados? Puxa-sacos, Caxias, Baba-ovos, etc.</p>
<p>Num sistema ético em que, na visão do malandro, a instituição (seja a escola, a empresa, o governo) o oprime, os que agem com honestidade são considerados vilões, são imbecilizados, viram motivo de piada.</p>
<p>E, no contexto da produção artística brasileira &#8220;de raiz&#8221;, não é só o samba que retrata essa adesão em massa à ética do malandro.</p>
<p>Tomemos, por exemplo, as telenovelas.</p>
<p>Em novela, os mocinhos, manés, que são honestos, trabalhadores, sinceros e abnegados, passam o tempo todo se ferrando. O vilão, malandro, sem escrúpulos, desonesto, se dá bem a maior parte do tempo, e só é punido (e às vezes sequer é punido) no fim. Mas será que essa punição tem impacto sobre a opinião do espectador a respeito de certo e errado?</p>
<p>Numa novela que se desenrole por, digamos, seis meses, o vilão, malandro, passa cinco meses e três semanas ganhando dinheiro, obtendo os melhores cargos no trabalho, ficando com as melhores mulheres, angariando simpatias e rindo das desgraças do mocinho. Tudo parece dar certo para o malandro, como no samba.</p>
<p>Já o mocinho, mané, sofre por cinco meses e três semanas. Perde oportunidades profissionais, sexuais, é vítima de armações, é ridicularizado por todos, em especial pelo malandro. Na semana final, o mané dá a volta por cima, mas será que, aos olhos do espectador, uma semana de felicidade tem mais peso que 23 semanas de infortúnios?</p>
<p>Será que ser mocinho compensa, segundo as telenovelas, o samba e a vida real?</p>
<p>No país do jeitinho, da ética do malandro e da Lei de Gérson, parece que não. É desanimador viver num lugar assim.</p>
<p>Na próxima vez, vou levar um fone de ouvido e ouvir rock and roll no carro da firma.</p>
<p><strong>[O post sofreu ajustes na formatação]</strong></p>
<h2><span style="color: #ff0000;"><strong>Atualização:</strong></span></h2>
<p><span style="color: #888888;">- O amigo jornalista Demétrio Pereira me lembra que não adianta ouvir rock and roll para escapar da apologia à desobediência das leis. Sim, ele tem razão. <strong>A opção pelo rock, no texto, funciona apenas como recurso estilístico.</strong> A transgressão das leis e a afronta ao &#8220;sistema&#8221; está presente no rock até mais que no samba &#8211; e é um tema recorrente em todas as formas de arte.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- Não estou, como insinuou o Demétrio em seu e-mail, propondo uma &#8220;censura artística&#8221;. Concordo com ele quando, citando a Escola de Frankfurt, me diz que<strong> toda manifestação artística é também política</strong> e os produtos culturais influenciam, de um modo ou de outro, os seus consumidores. </span><strong><span style="color: #888888;">A saída para evitarmos a sujeição das &#8220;massas&#8221; (termo tão démodé) aos ditames da indústria cultural está na </span><span style="color: #ff0000;">educação</span>.</strong> <span style="color: #888888;">Só com instrução, &#8220;esclarecimento&#8221; e consciência crítica as pessoas poderão discernir entre valores benéficos e nocivos e fazer suas escolhas éticas com liberdade e racionalidade.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- De Roma, o padre Luciano Motti escreve que o malandro e o caguete estão no mesmo nível, e que a <strong>minha defesa do &#8220;dedo-duro&#8221; está equivocada</strong>. Reconheço que o texto dá margem a essa interpretação. De fato, há indivíduos que usam a &#8220;caguetagem&#8221; como meio de obter favorecimentos e vantagens pessoais. Estes seres nada mais são que malandros que se valem desse artifício para &#8220;se dar bem&#8221;. Obviamente, não é desse tipo de pessoa que estou falando quando defendo que se denuncie a contravenção.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- Demétrio e Pedro Heberle tocma em outro ponto interessante: <strong>a postura da polícia nos morros cariocas, nascedouro do samba, e nas periferias brasileiras em geral, não é exatamente um exemplo de retidão moral</strong> e dá vazão a uma resistência por parte dos moradores dessas comunidades. Mais uma vez, concordo com meus críticos, em parte. Ao defender os policiais como &#8220;defensores da lei&#8221;, eu estava me referindo apenas aos que realmente agem como tal, e não aos malandros que usam a farda para obter vantagens.</span></p>
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		<title>Diálogo e-pistolar entre dois alfabetizados</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 17:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[[Troca de e-mails entre o editor deste blogue e o seu amigo André Ribeiro, professor de Filosofia na UCS] de André Ribeiro para Eduardo Nunes data 16 de maio de 2011 09:43 assunto lomba abaixo&#8230; assinado por yahoo.com.br Pronto! Agora tentar ensinar alguém a falar corretamente é, oficialmente, manifestação de &#8220;preconceito linguístico&#8221;!!!!!!!!!!!!!!! Não existe erro!!!!!!!!!!!!!<a href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #888888;"><strong>[Troca de e-mails entre o editor deste blogue e o seu amigo André Ribeiro, professor de Filosofia na UCS]</strong></span></p>
<blockquote><p><span style="color: #008000;"><strong>de</strong> André Ribeiro<br />
<strong>para </strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>data </strong>16 de maio de 2011 09:43<br />
<strong>assunto </strong> lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>assinado por </strong> yahoo.com.br</span></p>
<p>Pronto! Agora tentar ensinar alguém a falar corretamente é, oficialmente, manifestação de &#8220;preconceito linguístico&#8221;!!!!!!!!!!!!!!!<br />
Não existe erro!!!!!!!!!!!!!<br />
O papinho-palha pós-modernoso vai nos fazer voltar para a pré-história! Logo estaremos buscando o almoço usando tacapes!!<br />
Porque não se fecham as escolas de uma vez????</p>
<p><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec+defende+uso+de+livro+didatico+com+linguagem+popular/n1596949085987.html" target="_blank">http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec+defende+uso+de+livro+didatico+com+linguagem+popular/n1596949085987.html</a></p></blockquote>
<p>=============================</p>
<p><strong>de </strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>para </strong> André Ribeiro<br />
<strong>data </strong> 16 de maio de 2011 09:54<br />
<strong>assunto </strong> Re: lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>enviado por </strong> eduardonunes.org</p>
<p>é o que eu digo.</p>
<p>e sou chamado de (ai ai ai) conservador</p>
<p>por isso que eu gosto da Hannah Arendt. Ela diz que a escola TEM QUE SER conservadora, pois é à escola que cabe preservar a civilização que construímos</p>
<p>=============================</p>
<blockquote><p><span style="color: #008000;"><strong>de </strong> André Ribeiro<br />
<strong>para</strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>data </strong> 16 de maio de 2011 11:28<br />
<strong>assunto </strong> Res: lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>assinado por </strong> yahoo.com.br</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Não existe aprendizagem sem esforço. É superando obstáculos que as pessoas deixam de ser crianças e se tornam adultas. Esse &#8220;ensino&#8221; vai produzir algumas gerações de brasileiros ignorantes, burros e infantilizados.</span> <span style="color: #008000;"><br />
Fico imaginando a auto-estima desses jovens, sendo passados para frente sem saber nada, e sabendo disso&#8230;<br />
Esses pedabobos e suas boas intenções deviam é ser processados por crime contra a humanidade. Uma pessoa sem vocabulário para se expressar corretamente também não consegue pensar corretamente. A linguagem nos faz humanos; uma linguagem truncada significa seres humanos truncados.<br />
Tô pensando em mudar de país.</span></p></blockquote>
<p>=============================</p>
<p style="text-align: left;">Sem mais.</p>
<p style="text-align: left;"><a rel="attachment wp-att-3550" href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/attachment/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista/"><a rel="attachment wp-att-3562" href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/attachment/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3562" title="um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/05/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista1.jpg" alt="" width="400" height="333" /></a><br />
</a>Eis o produto acabado da nossa educação humanista, progressista e libertadora</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Vivendo no país do medo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 17:50:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[Há pouco, na Avenida Protásio Alves, em uma faixa de pedestres sem sinaleira, uma senhora e um cadeirante, um de cada lado da via, tentavam atravessar. A mulher fez, com o braço, aquele sinal propagandeado pela prefeitura de Porto Alegre, implorando aos motoristas que parassem e lhe dessem passagem segura. Os veículos pararam, a senhora<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/vivendo-no-pais-do-medo/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-3203" href="http://eduardonunes.org/periscopio/vivendo-no-pais-do-medo/attachment/atropelamento/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3203" title="atropelamento" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/05/atropelamento.jpg" alt="" width="400" height="318" /></a></p>
<p>Há pouco, na Avenida Protásio Alves, em uma faixa de pedestres sem  sinaleira, uma senhora e um cadeirante, um de cada lado da via, tentavam  atravessar.</p>
<p>A mulher fez, com o braço, aquele sinal propagandeado pela prefeitura  de Porto Alegre, implorando aos motoristas que parassem e lhe dessem  passagem segura.</p>
<p>Os veículos pararam, a senhora começou a atravessar, o deficiente também, mas um pouco mais tarde.</p>
<p>Enquanto eles cruzavam a avenida, um Chevette veio costurando por  entre os veículos parados e quase atropelou o cadeirante, freando sobre a  faixa.</p>
<p>O homem continuou a travessia que quase lhe custou a vida, enquanto o  motorista do Chevette praguejava. Havia uma faixa de pedestres pintada  sob o seu carro parado.</p>
<p>Dá medo viver num país assim.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Letargia seletiva</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 19:20:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[A citação abaixo, sobre a escolha de Tiririca para a Comissão de Educação e Cultura a Câmara,  é da escritora Lya Luft e está na coluna da Rosane de Oliveira na Zero Hora desta sexta, 4 de março: Nos meus 72 anos de vida, assisti a muitas coisas tristes, sombrias ou bizarras neste país. O<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/letargia-seletiva/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-963" href="http://eduardonunes.org/periscopio/letargia-seletiva/attachment/tiririca-3/"><img class="size-full wp-image-963 aligncenter" title="tiririca" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/03/tiririca.jpg" alt="" width="500" height="350" /></a></p>
<p>A citação abaixo, sobre a escolha de Tiririca para a Comissão de Educação e Cultura a Câmara,  é da escritora Lya Luft e está na coluna da Rosane de Oliveira na Zero Hora desta sexta, 4 de março:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #888888;">Nos meus 72 anos de vida, assisti a muitas coisas tristes, sombrias ou bizarras neste país. O deputado Tiririca, mais votado do Brasil, declarado alfabetizado depois de errar 80% do ditado a que foi submetido, passou a membro da Comissão de Educação. O Tiririca pode até ser um cara legal, mas se fôssemos um país sério todos os escritores, editores, jornalistas e professores brasileiros entrariam em greve até se resolver o escárnio. Mas não faremos nada disso. Vai haver até quem ache graça. Pêsames.</span></strong></p></blockquote>
<p>Tens razão, Lya. <span style="color: #ff0000;"><strong>Nada será feito</strong></span>, tal é a letargia que acomete o povão e até as classes mais esclarecidas da sociedade brasileira.</p>
<p>Mas estamos falando de uma <strong>letargia seletiva</strong>, pois esse mesmo povo que faz ouvidos moucos aos absurdos que ocorrem na política sabe ser veemente nas críticas à escolha das garotas-propaganda da cerveja Devassa ou ao comportamento de alguns débeis mentais que estrelam reality shows.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Troco um &#8220;L&#8221; por 10 Battistis</title>
		<link>http://eduardonunes.org/periscopio/troco-um-l-por-10-battistis/</link>
		<comments>http://eduardonunes.org/periscopio/troco-um-l-por-10-battistis/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 15:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[__________________________________________________ Você já ficou sentado, de cabeça baixa, em estado de semi-torpor, como se esperasse acordar de um sonho tétrico e surreal? Bem-vindo ao País da Maravilhas. Um lugar onde, apesar do nome, as maravilhas se escondem e muito raramente mostram o rosto, envergonhadas e ruborizadas que estão, autoexilando-se nas sombras de escândalos e obscenidades<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/troco-um-l-por-10-battistis/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-392" title="Battisti x L" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/12/Battisti-x-L.png" alt="Battisti x L" width="580" height="339" /></p>
<p>__________________________________________________</p>
<p>Você já ficou sentado, de cabeça baixa, em estado de semi-torpor, como se esperasse acordar de um sonho tétrico e surreal?</p>
<p>Bem-vindo ao País da Maravilhas.</p>
<p>Um lugar onde, apesar do nome, as maravilhas se escondem e muito raramente mostram o rosto, envergonhadas e ruborizadas que estão, autoexilando-se nas sombras de escândalos e obscenidades de toda sorte.</p>
<p>A imagem acima, recortada do<a href="http://www.corriere.it/politica/10_dicembre_30/larussa-battisti_e59dfa0a-140e-11e0-96ea-00144f02aabc.shtml" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong> site do jornal italiano Corriere Della Sera</strong></span></a>, é um recorte da headline da entrevista concedida àquele veículo pelo ministro da Defesa da Itália, o senhor Ignazio La Russa.</p>
<p>Indignado com a recusa de Lula em libertar o ex-terrorista e assassino condenado <strong>Cesare Battisti</strong>, La Russa disse que &#8220;haverá consequências&#8221; e propôs um boicote ao Brasil, alegando que ninguém gostaria de visitar &#8220;<strong>um país onde você pode, no ônibus, se sentar em frente a um assassino&#8221;.</strong></p>
<p>La Russa, seu tolinho, você não viu nada.</p>
<p>Battisti é café pequeno.</p>
<p>A nossa conivência com assassinos é muito mais <strong>ampla, geral e irrestrita</strong> (com trocadilho) do que você imagina.</p>
<p>Deixamos impunes assassinos de farda que, durante quase 30 anos, mataram alegremente a soldo do governo, pois puni-los prejudicaria o processo de &#8220;reconciliação&#8221; nacional &#8211; mais ou menos como se O Conciliador Max Gehringer colocasse na mesma mesa Champinha e os pais da menina que ele esculachou e o encontro resultasse em um acordo amigável e um convite para almoçar no domingo.</p>
<p>Por falar em Champinha, recentemente rendeu audiência a notícia de que um outro <span style="text-decoration: line-through;">monstro</span> pobre adolescente, um carinha legal que confessou <strong>12 homicídios* </strong>(sim, o guri admitiu ter matado 12 pessoas), <a href="http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2010/12/28/jovem-que-disse-ter-matado-12-pessoas-no-vale-do-sinos-deve-ser-solto-em-marco" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>será solto em março</strong></span></a> no RS, apenas três anos depois de ir pro xilindró.</p>
<p>Ou melhor, não podemos falar em &#8220;prisão&#8221; ou em &#8220;xilindró&#8221;. Aqui, de acordo com o belo e poético <strong>Estatuto da Criança e do Adolescente</strong>, uma lei amplamente utilizada para acobertar e/ou gerar criminosos, menores de idade<strong> </strong>não podem ser presos, <strong>apenas &#8220;apreendidos&#8221;,</strong> nem ir pra cadeia, <strong>apenas para instituições correcionais</strong> sem muitas regras nem pesares, a<strong>penas medidas socioeducativas, socializantes e recreativas.</strong></p>
<p>E não venham me dizer que aquelas unidades da Fase ou Case são &#8220;um inferno&#8221; por si.<strong> Elas só são um inferno porque estão cheias de delinquentes. </strong>Até o Jardim do Éden seria horrível se fosse frequentado por gente (sic) desse tipo.</p>
<p>É por isso que os deuses de todas as religiões fecham as portas para gente da laia de Champinha e de &#8220;L.&#8221; (aqui, monstros com menos de 18 anos têm a identidade preservada, para que não os reconheçamos quando forem soltos e vierem nos matar). No Brasil, eles recebem todas as honrarias, pois são tratados como vítimas e mimados com a impunidade.</p>
<p>Mesmo depois de crescidos, nossos delinquentes continuam mimados. <strong>Nossos presídios, apesar de horríveis, não parecem tão ruins quanto um bom presídio deveria ser</strong>. Lá, aparentemente, líderes do crime fazem o que querem, matam quem querem matar, fazem sexo com quem lhes apraz, despacham nos seus escritórios, pedem telentrega de comida, bebida, celulares e armas, e saem facinho facinho.</p>
<p>Na Itália, não exatamente uma Suécia, Battisti foi condenado à prisão perpétua. Aqui, seria nomeado ministro.</p>
<p>Mesmo assim, o senhor La Russa está mal acostumado.</p>
<p>Ministro, mande pra cá todos os seus Battistis! Trocamos pelos nossos menores infratores a 10 por 1!</p>
<p>Todos os seus terroristas perigosos não chegam aos pés de um único pivete de Novo Hamburgo.</p>
<p><strong><span style="color: #888888;">[*O número de pessoas que o carinha que vai ser solto confessou ter matado estava errado. O post foi atualizado]</span></strong></p>
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		<title>’ACUSE!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 10:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi nesta manhã, por e-mail, o manifesto abaixo transcrito, assinado pelo advogado e professor Igor Pantuzza Wildmann. Não sei onde ele vive e leciona e, francamente, não faz diferença. Sua crítica e sua indignação são universais e podiam ser de qualquer brasileiro, de qualquer habitante deste país que está sendo devorado por uma monstruosa inversão<a href="http://eduardonunes.org/escola/%e2%80%99acuse/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #808080;">Recebi nesta manhã, por e-mail, o manifesto abaixo transcrito, assinado pelo advogado e professor<span style="color: #ff0000;"> Igor Pantuzza Wildmann</span>.</span></strong></p>
<p><span style="color: #888888;"><strong>Não sei onde ele vive e leciona e, francamente, não faz diferença. Sua  crítica e sua indignação são universais e podiam ser de qualquer  brasileiro, de qualquer habitante deste país que está sendo devorado por  uma monstruosa inversão de valores que se faz sentir em muitos lugares,  mas principalmente na escola.</strong></span></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">Antes de reproduzir o texto do  professor Igor (cujas ideias, ipsis literis, eu subscrevo e ecoo),  acrescento que a inversão de valores denunciada pelo texto desse  advogado indignado é perpetuada e incessantemente reproduzida, basicamente, por quatro (ou cinco) tipos de pessoas:</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">a)<span style="color: #ff0000;"> políticos</span> <span style="color: #ff0000;">e burocratas</span> que buscam prestígio e votos por meio da manipulação de dados e  estatísticas educacionais, sem se importar em saber se os milhões de analfabetos  funcionais que todos os anos  saem das nossas escolas com certificados  embaixo do braço realmente aprenderam alguma coisa;</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">b) <span style="color: #ff0000;">pedagogos e antropólogos que se dizem de esquerda</span>, que se dizem humanistas, que se dizem  libertadores e, em nome disso, vivem na mais absoluta cegueira  (voluntária) ante o fato de que suas lindas e poéticas teorias  pedagógicas não funcionam na prática e não libertam ninguém; pelo  contrário, escravizam milhões de pessoas condenadas ao antes referido  analfabetismo funcional;</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">c) <span style="color: #ff0000;">pedagogos e professores semi-analfabetos </span> (sim, o círculo se fechou!) que,  por não terem tido uma boa formação na Educação Básica e nas faculdades  caça-níqueis que frequentaram, acabam caindo na conversa de qualquer  guru &#8220;libertador&#8221; e/ou não sabem ensinar e avaliar os próprios alunos. Convém apontar, também, os <span style="color: #ff0000;">professores acomodados</span>, que, por causa dos baixos salários e más condições de trabalho, desistem de buscar uma boa práxis e continuam, por anos a fio, desempenhando a função no piloto automático, à espera da aposentadoria longínqua;<br />
</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">d) <span style="color: #ff0000;">mercadores e vendilhões</span> que  transformaram a educação em produto (e produto barato) e deformam  mentes apenas para ganhar uns trocados, a granel, por atacado.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">Agora, vamos ao texto do professor Igor:</span></strong></p>
<p>(Eu acuso !)</p>
<p><em>(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)</em></p>
<p style="text-align: right;">« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.<br />
(Émile Zola)</p>
<p style="text-align: right;">Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (&#8230;)<br />
(Émile Zola)</p>
<p>Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que&#8230; estudar!).</p>
<p>A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.</p>
<p>O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.</p>
<p>Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de  convivência supostamente democrática.</p>
<p>No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando&#8230;</p>
<p>E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”</p>
<p>Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente&#8230;</p>
<p>Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.</p>
<p>Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.</p>
<p>Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:</p>
<p>EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;</p>
<p>EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;</p>
<p>EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;</p>
<p>EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;</p>
<p>EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;</p>
<p>EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;</p>
<p>EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;</p>
<p>EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;</p>
<p>EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;</p>
<p>EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e  do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;</p>
<p>EU ACUSO os  “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,</p>
<p>EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;</p>
<p>EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.</p>
<p>EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;</p>
<p>EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;</p>
<p>Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.</p>
<p>Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.</p>
<p>A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”</p>
<p>Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.</p>
<p><strong>Igor Pantuzza Wildmann</strong><br />
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.</p>
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		<title>Novo eufemismo: &#8220;ofício lido &#8216;sem a devida calma&#8217;&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2010 22:46:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece que Tiririca não será o único político brasileiro com dificuldades para ler a papelada oficial. Saiu, na Zero Hora de ontem, uma matéria sobre um &#8220;mal entendido&#8221; provocado por um documento assinado pela secretária-geral de Governo do RS, Ana Pellini, a senhora da foto acima. O ofício que recebeu a assinatura da secretária reduzia<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/novo-eufemismo-oficio-lido-sem-a-devida-calma/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-376 alignnone" title="Ana Pellini" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/12/Ana-Pellini.jpg" alt="Ana Pellini" width="500" height="333" /></p>
<p>Parece que Tiririca não será o único político brasileiro com dificuldades para ler a papelada oficial.</p>
<p>Saiu, na Zero Hora de ontem,<span style="text-decoration: underline;"><strong> <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Pol%EDtica&amp;newsID=a3128403.xml" target="_blank">u</a></strong><a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Pol%EDtica&amp;newsID=a3128403.xml" target="_blank"><strong>ma matéria</strong></a></span> sobre um &#8220;mal entendido&#8221; provocado por um documento assinado pela secretária-geral de Governo do RS, Ana Pellini, a senhora da foto acima.</p>
<p>O ofício que recebeu a assinatura da secretária reduzia drasticamente o número de serviços públicos oferecidos pelo governo nas praias gaúchas durante o veraneio. Parece que o Piratini investiria apenas em segurança, e não nos outros serviços tradicionalmente oferecidos.</p>
<p>O texto, que ela aparentemente não entendeu, é de uma clareza singela:</p>
<p><span style="color: #ff0000;">“ (&#8230;) por decisão governamental, o Verão Legal 2010/2011 será  realizado somente com a participação dos órgãos de Segurança Pública —  Brigada Militar e Polícia Civil (&#8230;)&#8221;</span></p>
<p>Os integrantes da equipe de transição do futuro governo de Tarso Genro, que assumirá o Estado em meio às férias de verão, levaram um susto e trataram de preparar um plano emergencial para atender a população que se desloca para o Litoral. Repercutiu mal e o governo voltou atrás.</p>
<p>Depois da caca feita, qual foi a resposta da secretária? Assumiu a posição e disse que é assim mesmo, sem arrego pros veranistas? Disse que não tinha nada a declarar? Culpou o WikiLeaks?</p>
<p>Não.</p>
<p>A resposta dela foi ainda mais assombrosa:</p>
<p>—<strong> </strong>Essas coisas a gente responde na correria e, às vezes, não lê o ofício  que assina com a devida calma. Mas nunca houve intenção de reduzir os  serviços. Foi um equívoco.</p>
<p>Vou repetir, em negrito:</p>
<p><strong>—<strong> </strong>Essas coisas a gente responde na correria e, às vezes, não lê o ofício  que assina com a devida calma.</strong></p>
<p>Agora, colorido:</p>
<p><strong>—<strong> </strong>Essas coisas a gente responde na correria e, às vezes,<span style="color: #ff0000;"> não lê o ofício  que assina</span> com a devida calma.</strong></p>
<p>Agora, em fonte aumentada:</p>
<h2><strong>—<strong> </strong>Essas coisas a gente responde na correria e, às vezes,<span style="color: #ff0000;"> não lê o ofício  que assina</span> com a devida calma.</strong></h2>
<p>OK, a gente já desconfiava que os nossos parlamentares, governantes e funcionários do governo assinavam coisas importantes sem ler .</p>
<p>A revista Piauí até publicou, certa vez, uma reportagem que conta como alguns requerimentos de projetos e CPIs obtêm o número necessário de assinaturas na Câmara: os gabinetes pagam <strong>&#8220;recolhedores profissionais de assinaturas&#8221;</strong>, geralmente<span style="color: #ff0000;"><strong> mulheres de notórios atributos físico</strong></span><span style="color: #ff0000;"><strong>s</strong></span>, que têm trânsito livre pelos corredores do Congresso e recebem para interpelar deputados, com pranchetas em mãos e decotes generosos saltando aos olhos, dizendo:</p>
<p><strong>— Assina aqui, deputado?</strong></p>
<p>Muitos deputados, que não resistem a uma alça de soutien aparecendo, assinam sem sequer saber de que se trata o requerimento &#8211; e a gostosa encarregada de recolher as assinaturas ganha por cabeça.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>É, meu amigo, é em coisas assim que são gastas as polpudas &#8220;verbas de gabinete&#8221; dos nosso congressistas: pagamos gostosas pra recolher assinaturas de parlamentares que, por sua vez, são (bem) pagos por nós para assinar documentos que nos dizem respeito sem antes lê-los.</strong></span></p>
<p>A gente já desconfiava de tudo isso. Mas <strong>ver alguém do primeiro escalão do governo do Estado admitir, assim, que lê os ofícios que assina &#8220;sem a devida calma&#8221; é sempre um soco no estômago.</strong></p>
<p>Deve ser por isso que o Tiririca foi absolvido tão facilmente da acusação de falsidade ideológica, mesmo tendo acertado tão pouco da prova a que foi submetido: <strong>pra que saber ler, se não é preciso mais que desenhar a própria assinatura,</strong> como fez a secretária-geral de Governo do RS?</p>
<p><strong><span style="color: #808080;">[Foto: Paula Fiori / Agência de Notícias do Palácio Piratini]</span></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Num país de tantas vergonhas&#8230;</title>
		<link>http://eduardonunes.org/periscopio/num-pais-de-tantas-vergonhas/</link>
		<comments>http://eduardonunes.org/periscopio/num-pais-de-tantas-vergonhas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 00:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230; o  presidente Lula defende a compra de um novo avião presidencial. Para ele, a atual aeronave, o Airbus A319 jocosamente apelidado de AeroLula, não serve para meio de transporte de um chefe de Estado com amor próprio, pois não tem autonomia suficiente para viajar até a Ásia sem escalas. — É uma vergonha ter<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/num-pais-de-tantas-vergonhas/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-370" href="http://eduardonunes.org/num-pais-de-tantas-vergonhas/lula/"><img class="alignnone size-medium wp-image-370" title="Lula" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/12/Lula-500x341.jpg" alt="" width="500" height="341" /></p>
<p>&#8230; o  presidente Lula defende a compra de um novo avião presidencial</span></strong>. Para ele, a atual aeronave, o Airbus A319 jocosamente apelidado de <strong>AeroLula</strong>, não serve para meio de transporte de um chefe de Estado com amor próprio, pois não tem autonomia suficiente para viajar até a Ásia sem escalas.</p>
<p>— É uma vergonha ter avião de apenas 12 horas de autonomia — afirmou o presida.</p>
<p>Vejam só, o Lula acha humilhante precisar parar pra abastecer no meio de uma viagem oficial.</p>
<p><strong>É lindo viver num país assim</strong>, em que, por todos os problemas maiores já terem sido resolvidos, o presidente se dá ao luxo de sentir vergonha da autonomia do avião presidencial.</p>
<p>Na educação, saúde, emprego, segurança, distribuição de renda e cultura, só temos motivos pra nos orgulhar, não é, Lula?</p>
<p>É aqui que fica mais forte a tentação de escrever um daqueles textos piegas e demagógicos, citando, um por um, os motivos que temos para nos envergonhar do nosso altaneiro torrão. Mas não preciso fazer isso, está tudo na cara.</p>
<p>Citarei, apenas, a maior vergonha por que passamos na última semana: a guerra civil no Rio de Janeiro.</p>
<p><span style="color: #3366ff;">Só pra constar, é uma vergonha vivermos num país em que um filme como <strong>Tropa de Elite 2</strong> está mais próximo de um documentário que de uma obra de ficção.</span></p>
<p>Enquanto não nos livrarmos de vergonhas como essa, presidente, a discussão sobre a autonomia do seu avião pode esperar.</p>
<p><span style="color: #808080;"><strong>[Imagem: Agência Brasil]</strong></span></p>
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		<title>Geddel, um baiano</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 14:36:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Geddel Vieira Lima ama a Bahia. Muito. E quem ama faz coisas estúpidas, já sentenciou o Dr. House, especialista na matéria. Geddel ama tanto o seu Estado natal que, quando era ministro, moveu mundos e fundos para livrar a sua terra de catástrofes, para proteger o seu povo de intempéries, para evitar que desastres afetassem<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/geddel-um-baiano/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-261" title="Geddel Vieira Lima" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/04/Geddel-Vieira-Lima.jpg" alt="Geddel Vieira Lima" width="500" height="333" /></p>
<p>Geddel Vieira Lima ama a Bahia.</p>
<p>Muito.</p>
<p>E quem ama faz coisas estúpidas, já sentenciou o Dr. House, especialista na matéria.</p>
<p>Geddel ama tanto o seu Estado natal que, quando era ministro, moveu mundos e fundos para livrar a sua terra de catástrofes, para proteger o seu povo de intempéries, para evitar que desastres afetassem a vida no seu altaneiro torrão.</p>
<p>Ontem, matéria do Jornal Nacional (para assistir, clique <a class="wp-caption-dd" href="http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1561136-10406,00-REPASSE+PARA+PREVENCAO+E+DESIGUAL.html" target="_blank">aqui</a>) mostrou que o TCU constatou um ligeiro &#8220;desequilíbrio&#8221; no envio de verbas do Ministério da Integração Nacional para prevenção de desastres nos Estados.</p>
<p>Depois do ensaio para o Apocalipse que aconteceu no Rio de Janeiro, algumas pessoas se perguntaram:<strong> &#8220;Pô, o governo federal não manda grana pra prevenir essas tragédias?&#8221;.</strong></p>
<p>Manda.<strong> O problema é que o dinheiro vai quase todo para o mesmo lugar.</strong> Um deles, por acaso o Estado natal do ex-ministro Geddel, ficou com quase todo o bolo.</p>
<p>De 2004 a 2009, foram repassados aos Estados R$ 365 milhões para prevenção de catástrofes &#8211; e 37,25% destes recursos acabaram nos cofres da Bahia, um lugar que quase nada sofreu com chuvas.</p>
<p>Somos 27 &#8220;entes federados&#8221;. Um deles (que sequer é o mais necessitado) abocanhar sozinho 37,25% dos recursos é demais, não?</p>
<p>Pois bem, a coisa piora. Durante os dois últimos anos em que Geddel ficou com as chaves do cofre (2008-2009), a Bahia recebeu 64,6% do dinheiro. I mean: <strong>SESSENTA E QUATRO VÍRGULA SEIS POR CENTO dos recursos que deveriam ser divididos entre 27 entes federados</strong>.</p>
<p>Entendemos que, numa federação heterogênea, é natural que uns precisem mais do que outros, mas tal desequilíbrio só se justificaria se a Bahia fosse um lugar assolado ao mesmo tempo por tornados, enchentes, terremotos, vulcões, quedas de meteoritos e shows de axé (bem, talvez este último item justifique o favorecimento).</p>
<p>Mas o amor de Geddel Vieira Lima pela Bahia é ainda maior. <strong>Ele concorrerá ao governo do Estado </strong>nas eleições deste ano.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-262" title="professor girafales" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/04/professor-girafales.jpg" alt="professor girafales" width="350" height="270" /></p>
<p>Entendeu agora, professor Girafales? Quando estava se despedindo do ministério, o ex-ministro mandou, para o Estado onde concorreria a governador, nada menos que dois terços dos recursos destinados à prevenção de tragédias em todo o país.</p>
<p>Num país sério, isso seria ou não seria considerado<strong> compra de votos</strong>?</p>
<p>Geddel diz que o desequilíbro existe porque a grana só é liberada para quem apresenta projetos ao ministério. E que o Nordeste é mais necessitado que o resto do país. Aham.</p>
<p>Viu? Dr. House tinha razão. Quem ama faz (e diz) coisas estúpidas. E nós pagamos a conta, como sempre.</p>
<p><strong>[Na foto do topo do post, tirada de http://blogdogeddel.com.br, nosso abnegado ex-ministro sorri (ou tenta), rodeado por pequenas e amadas conterrâneas]</strong></p>
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		<title>R.I.P. Capacho</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 03:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[E eis que, quando você promete a si mesmo não se surpreender com mais nada desse mundo cão, você chega em casa à 0h50min (voltando do trabalho e não da farra, como seria justo e nobre) e percebe que roubaram o seu capacho. Sim, o capacho. Aquele tapete. Que ficava na porta do seu apartamento.<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/r-i-p-capacho/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E eis que, quando você promete a si mesmo não se surpreender com mais nada desse mundo cão, você chega em casa à 0h50min (voltando do trabalho e não da farra, como seria justo e nobre) e percebe que roubaram o seu capacho.</p>
<p>Sim, o capacho. Aquele tapete. Que ficava na porta do seu apartamento. Preto. Sem nada estampado, nem sequer um &#8220;Welcome Friends&#8221; fajuto. Nada. Era só um reles capacho sem vida, que você esperava usar para limpar os pés.</p>
<p>Pois roubaram o meu capacho. Quem? Com que finalidade?</p>
<p>O mundo está mesmo perdido&#8230;</p>
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