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	<title>Eduardo Nunes.org &#187; resenha</title>
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<title>Eduardo Nunes.org</title>
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		<title>Areia nos Dentes: uma não-resenha</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 00:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[[Do DF mexicano, um narrador bêbado e não confiável escreve sobre seus antepassados. Imagem: Google Earth] Por que alguém leria e recomendaria uma história de faroeste narrada por um bêbado mexicano e escrita por um porto-alegrense de 25 anos que nunca esteve no México? Resposta: porque o livro é bom demais. Areia nos Dentes foi<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/areia-nos-dentes-uma-nao-resenha/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-236" title="DF mexicano" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2009/11/DF-mexicano1.jpg" alt="DF mexicano" width="609" height="268" /></p>
<p><strong>[Do DF mexicano, um narrador bêbado e não confiável escreve sobre seus antepassados. <span style="color: #808080;">Imagem: Google Earth</span>]</strong></p>
<p>Por que alguém leria e recomendaria uma história de faroeste narrada por um bêbado mexicano e escrita por um porto-alegrense de 25 anos que nunca esteve no México?</p>
<p>Resposta: porque o livro <strong>é bom demais</strong>.</p>
<p><a class="wp-caption-dd" href="http://www.naoeditora.com.br/catalogo/areia-nos-dentes/" target="_blank">Areia nos Dentes </a>foi lançado em 2008, pela <a class="wp-caption-dd" href="http://www.naoeditora.com.br/" target="_blank">Não-Editora</a>. O não-autor, <span style="color: #ff0000;"><strong>Antônio Xerxenesky</strong> </span>(<a class="wp-caption-dd" href="http://antonioxerxenesky.com" target="_blank">site</a> | <a class="wp-caption-dd" href="http://blog.antonioxerxenesky.com" target="_blank">blog</a>| <a class="wp-caption-dd" href="http://www.twitter.com/xerxenesky" target="_blank">twitter</a>), não-sócio da não-empresa, sempre foi apaixonado pela cultura mexicana, por histórias de faroeste e de zumbis e um dia decidiu juntar tudo isso em um livro.</p>
<p>É o primeiro romance de Xerxenesky, o que significa que pode ser um pouco cedo pra puxar com tanta veemência o saco do autor, mas acredito que o risco de engano seja mínimo: <strong>o cara já é um grande contador de histórias<span style="color: #ff0000;"> e</span> um grande escritor</strong>. Ou seja, ele não apenas consegue envolver o leitor com sua história, mas também sabe juntar as palavras com maestria, resultando numa prosa quase poética.</p>
<p>A história do povoado de Mavrak, uma quase cidade-fantasma perdida no meio do deserto, num lugar e numa época em que não fazia muito sentido perguntar se era Estados Unidos ou México, é narrada por Juan, um velho bêbado e nem um pouco confiável que vive em um apartamento perdido na selva urbana do Distrito Federal mexicano. <strong>Enquanto reflete sobre o vazio da sua vida, Juan decide contar (ou seja, inventar) a história de seus antepassados de Mavrak.</strong> Graças a esse recurso de metalinguagem, sabemos o tempo todo que tudo não passa de ficção contada a partir dos dias atuais &#8211; mas, mesmo assim, avançamos página após página para saber o que vem em seguida, tal a intensidade com que o enredo nos atinge.</p>
<p>Por falar em linguagem, o livro é uma mescla de gêneros narrativos que se complementam. Por meio do seu narrador/alter ego Juan, <strong>Xerxenesky brinca com diferentes estilos</strong>, contando sua história ora no formato de roteiro cinematográfico, ora como fluxo de consciência, ora bisbilhotando no diário de um dos personagens, ora traçando um paralelo entre o que dois personagens pensam ao mesmo tempo, ora perdendo um capítulo inteiro por causa de um vírus de computador.</p>
<p>O livro é tão bem amarrado que até o que não está nele funciona bem, como no caso do capítulo que, na vida real e não no romance,  foi suprimido sem querer na hora de diagramar e acabou ficando de fora na impressão (não faz falta na comp䁲ensão da trama e prova que Xerxenes䁫y é tão confiável quanto Juan, como ele mesmo conta <a class="wp-caption-dd" href="http://blog.antonioxerxenesky.com/?p=120" target="_blank">neste post do seu blogue</a>).<br />
<strong><br />
&#8220;Não tem como ser ruim&#8221;<br />
</strong>Areia nos Dentes traz muitos dos deliciosos clichês que imortalizaram o gênero: a ética da valentia e da honra, a guerra entre dois clãs rivais (no caso, os Marlowes e os Ramírez), o deserto, os duelos, os índios, o xerife austero e o saloon com suas prostitutas, seus bêbados, seus jogos de pôquer e suas brigas que começam por uma besteira e acabam com um cara sendo morto a tiros.</p>
<p>Ah, e os zumbis.</p>
<p>Já na orelha do livro, Daniel Galera diz: <strong>&#8220;Se tem zumbis no meio, só pode ser bom&#8221;.</strong> Quando falei de Areia nos Dentes ao colega e amigo <a class="wp-caption-dd" href="http://corujisses.blogspot.com" target="_blank">Diogo Pereira</a>, sua resposta foi muito parecida: <strong>&#8220;Bah, faroeste com zumbis? Não tem como ser ruim!&#8221; </strong>Realmente, não tem mesmo.</p>
<p>Os cadáveres que saem das entranhas da terra para se intrometer na guerra entre Marlowes e Ramírez acabam por encerrar a guerra dos mavrakianos contra o ambiente hostil em que teimavam em viver. Uma comunidade que vivia tão longe de tudo e tão perto do Nada estava condenada à morte. Nada mais justo que fossem os mortos os executores da sentença.</p>
<p>E nada mais real do que um final de romance em que carrascos se tornam réus e réus se tornam carrascos. A fantasia de estarem mastigando cérebros é só uma licença poética.</p>
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		<title>&#8220;Blog&#8221;, de Hugh Hewitt: a blogosfera merece um historiador melhor</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 13:07:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[blogs]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sempre achei que aquelas frases de críticos/veículos reproduzidas nas capas de livros ou DVDs eram dignas de algum crédito. Por isso, ao pegar na livraria o livro “Blog; Entenda a Revolução que Vai Mudar Seu Mundo”, de Hugh Hewitt, e ler na contracapa a frase “Hugh Hewitt é o historiador não-oficial do movimento blogueiro”,<a href="http://eduardonunes.org/hipercortex/blog-de-hugh-hewitt-a-blogosfera-merece-um-historiador-melhor/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-137   alignnone" title="blog-revolucao" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2009/07/blog-revolucao.jpg" alt="blog-revolucao" width="259" height="400" /></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Eu sempre achei que aquelas frases de críticos/veículos reproduzidas nas capas de livros ou DVDs eram dignas de algum crédito. Por isso, ao pegar na livraria o livro<a class="wp-caption-dd" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1859573&amp;sid=89272458011714467018654432&amp;k5=155270CA&amp;uid=" target="_blank"> “Blog; Entenda a Revolução que Vai Mudar Seu Mundo”</a>, de <a class="wp-caption-dd" href="http://hughhewitt.townhall.com/blog/" target="_blank">Hugh Hewitt</a>, e ler na contracapa a frase <span style="color: #ff0000;">“Hugh Hewitt é o historiador não-oficial do movimento blogueiro”</span>, assinada pelo <a class="wp-caption-dd" href="http://online.wsj.com/home-page" target="_blank">The Wall Street Journal</a>, pensei:<strong> “Vou levar!”</strong></p>
<p style="text-align: left;">Depois de ler a obra (na verdade, li há alguns meses), tenho uma opinião bem definida sobre o jornal de Wall Street:<strong> ou eles não leram o livro, ou não entendem lhufas do movimento blogueiro.</strong></p>
<p style="text-align: left;">E nem estou falando das absurdas convicções políticas e ideológicas do autor. Para mim, na hora da compra,<strong> não importava que Hewitt fosse um dos porta-vozes da direita cristã-militarista americana. </strong>Nos EUA, a blogosfera é coisa de gente grande, e lá tanto a direita quanto a esquerda descobriram há algum tempo o poder político de um bom blog. Logo, o livro poderia ser bom mesmo se escrito por um radialista fanático que deve ter a frase<span style="color: #ff0000;"> “I Love Dicky (Cheney)”</span> tatuada na nádega direita.<br />
<span style="color: #ff0000;"><strong><br />
O problema é que “Blog” quase não  trata do conceito de bl</strong></span><span style="color: #ff0000;"><strong>og</strong></span>. O incensado “historiador” quase nada fala sobre a consolidação dos blogs, sobre o que os diferencia da mídia tradicional e, quando tenta fazer isso, chega a conclusões absurdas. <strong>Hewitt usa as mais de 260 páginas do livro tão somente para expor sua visão de mundo</strong> e para fazer propaganda dos blogs que aprecia – principalmente do seu.</p>
<p style="text-align: left;">Tudo de relevante da obra de Hewitt caberia em dez páginas, no máximo. Eu disse “dez”? Cinco! E, mesmo assim, essas páginas seriam destinadas a pessoas que passaram os últimos dez anos congeladas numa câmara criogênica e despertaram, de repente, num mundo onde havia blogs.<br />
<span style="color: #ff0000;"><br />
Quando Hewitt tenta fazer jus ao rótulo de “historiador” que vem na contracapa, o resultado é sofrível</span>. Como no capítulo em que compara o movimento blogueiro à Reforma Protestante. A analogia, em que os blogueiros seriam os seguidores de Lutero e a mídia tradicional seria a Igreja Católica, é válida. O problema é que,<strong> ao invés de desenvolver essa comparação e explorar suas dobras e nuances, Hewitt, um protestante engajado, passa o capítulo inteiro contando detalhes irrelevantes da vida de Lutero</strong>, sua conversão e sua doutrina. Logo, a analogia não foi colocada lá para explicar a blogosfera, e sim para tentar fazer com que os leitores encontrem Jesus.</p>
<p style="text-align: left;">Isso também é visto nas muitas páginas em que ele cita e indica blogs cristãos. A citação até teria sentido, se o autor, ao invés de colar longos trechos de sermões de pastores (sim, ele faz isso), explicasse como um blog pode ajudar uma igreja a difundir sua mensagem.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Mas<span style="color: #000000;"> o pai-de-todos-os-absurdos</span> vem agora, leitor:</strong></span></p>
<p style="text-align: left;">Para Hugh Hewitt, pasme, <strong>o grande diferencial dos blogs em relação à grande mídia não é o formato blog, mas sim a não-adesão dos blogueiros à conspiração da imprensa para derrubar o governo Bush.</strong> Está lá, repetido e repetido em várias passagens. Hewitt afirma que <span style="color: #ff0000;">TODA a grande mídia americana</span> (com exceção da Fox News e de algumas rádios)<span style="color: #ff0000;"> é uma colossal coalizão de esquerda</span> e, em alguns casos, de extrema-esquerda.</p>
<p style="text-align: left;">O mais interessante é a justificativa que ele dá para tal “esquerdismo” da imprensa. Para ele, os jornalistas ganham mal e, por isso, têm inveja dos executivos e burocratas bem pagos, motivo que os leva a trabalhar pela destruição do partido dos ricos: o Partido Republicano.</p>
<p style="text-align: left;">Não, isso não é uma ilusão de ótica. Está lá, nas páginas de “Blog: Entenda a Revolução que Vai Mudar Seu Mundo”. Para não deixar dúvidas, vou repetir:</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><strong>P</strong></span><span style="color: #ff0000;"><strong>ara Hugh Hewitt, os jornalistas ganham mal e, por isso, têm inveja dos executivos e burocratas bem pagos, motivo que os leva a trabalhar pela destruição do partido dos ricos: o Partido Republicano.</strong></span></p>
<p style="text-align: left;">Ler isso é o suficiente para queimar um livro, não? Eu venci meus impulsos hitleristas e li até o fim. Não recomendo que você faça o mesmo.</p>
<p style="text-align: left;">Ao chegar à página 261, estava com três certezas em mente:</p>
<p style="text-align: left;"><strong>1) </strong>Hugh Hewitt é um asno.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>2)</strong> Na próxima vez que a <a class="wp-caption-dd" href="http://www.thomasnelson.com/consumer/" target="_blank">Thomas Nelson</a> quiser editar algo sobre a blogosfera, deveria chamar a <a class="wp-caption-dd" href="http://www.desdecuba.com/generaciony/" target="_blank">Yoani Sánchez</a> ou, vá lá, o<a class="wp-caption-dd" href="http://www.contraditorium.com/2008/09/11/no-dessa-vez-que-o-lula-me-liga/" target="_self"> Cardoso</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>3) </strong>O Wall Street Journal me deve uma grana.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>[O post foi atualizado (na especulação sobre a frase que Hewitt mandou tatuar na nádega direita)]</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>[Imagem: divulgação]</strong></p>
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