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	<title>Eduardo Nunes.org &#187; violência</title>
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<title>Eduardo Nunes.org</title>
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		<title>Troco um &#8220;L&#8221; por 10 Battistis</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 15:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[__________________________________________________ Você já ficou sentado, de cabeça baixa, em estado de semi-torpor, como se esperasse acordar de um sonho tétrico e surreal? Bem-vindo ao País da Maravilhas. Um lugar onde, apesar do nome, as maravilhas se escondem e muito raramente mostram o rosto, envergonhadas e ruborizadas que estão, autoexilando-se nas sombras de escândalos e obscenidades<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/troco-um-l-por-10-battistis/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-392" title="Battisti x L" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2010/12/Battisti-x-L.png" alt="Battisti x L" width="580" height="339" /></p>
<p>__________________________________________________</p>
<p>Você já ficou sentado, de cabeça baixa, em estado de semi-torpor, como se esperasse acordar de um sonho tétrico e surreal?</p>
<p>Bem-vindo ao País da Maravilhas.</p>
<p>Um lugar onde, apesar do nome, as maravilhas se escondem e muito raramente mostram o rosto, envergonhadas e ruborizadas que estão, autoexilando-se nas sombras de escândalos e obscenidades de toda sorte.</p>
<p>A imagem acima, recortada do<a href="http://www.corriere.it/politica/10_dicembre_30/larussa-battisti_e59dfa0a-140e-11e0-96ea-00144f02aabc.shtml" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong> site do jornal italiano Corriere Della Sera</strong></span></a>, é um recorte da headline da entrevista concedida àquele veículo pelo ministro da Defesa da Itália, o senhor Ignazio La Russa.</p>
<p>Indignado com a recusa de Lula em libertar o ex-terrorista e assassino condenado <strong>Cesare Battisti</strong>, La Russa disse que &#8220;haverá consequências&#8221; e propôs um boicote ao Brasil, alegando que ninguém gostaria de visitar &#8220;<strong>um país onde você pode, no ônibus, se sentar em frente a um assassino&#8221;.</strong></p>
<p>La Russa, seu tolinho, você não viu nada.</p>
<p>Battisti é café pequeno.</p>
<p>A nossa conivência com assassinos é muito mais <strong>ampla, geral e irrestrita</strong> (com trocadilho) do que você imagina.</p>
<p>Deixamos impunes assassinos de farda que, durante quase 30 anos, mataram alegremente a soldo do governo, pois puni-los prejudicaria o processo de &#8220;reconciliação&#8221; nacional &#8211; mais ou menos como se O Conciliador Max Gehringer colocasse na mesma mesa Champinha e os pais da menina que ele esculachou e o encontro resultasse em um acordo amigável e um convite para almoçar no domingo.</p>
<p>Por falar em Champinha, recentemente rendeu audiência a notícia de que um outro <span style="text-decoration: line-through;">monstro</span> pobre adolescente, um carinha legal que confessou <strong>12 homicídios* </strong>(sim, o guri admitiu ter matado 12 pessoas), <a href="http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2010/12/28/jovem-que-disse-ter-matado-12-pessoas-no-vale-do-sinos-deve-ser-solto-em-marco" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>será solto em março</strong></span></a> no RS, apenas três anos depois de ir pro xilindró.</p>
<p>Ou melhor, não podemos falar em &#8220;prisão&#8221; ou em &#8220;xilindró&#8221;. Aqui, de acordo com o belo e poético <strong>Estatuto da Criança e do Adolescente</strong>, uma lei amplamente utilizada para acobertar e/ou gerar criminosos, menores de idade<strong> </strong>não podem ser presos, <strong>apenas &#8220;apreendidos&#8221;,</strong> nem ir pra cadeia, <strong>apenas para instituições correcionais</strong> sem muitas regras nem pesares, a<strong>penas medidas socioeducativas, socializantes e recreativas.</strong></p>
<p>E não venham me dizer que aquelas unidades da Fase ou Case são &#8220;um inferno&#8221; por si.<strong> Elas só são um inferno porque estão cheias de delinquentes. </strong>Até o Jardim do Éden seria horrível se fosse frequentado por gente (sic) desse tipo.</p>
<p>É por isso que os deuses de todas as religiões fecham as portas para gente da laia de Champinha e de &#8220;L.&#8221; (aqui, monstros com menos de 18 anos têm a identidade preservada, para que não os reconheçamos quando forem soltos e vierem nos matar). No Brasil, eles recebem todas as honrarias, pois são tratados como vítimas e mimados com a impunidade.</p>
<p>Mesmo depois de crescidos, nossos delinquentes continuam mimados. <strong>Nossos presídios, apesar de horríveis, não parecem tão ruins quanto um bom presídio deveria ser</strong>. Lá, aparentemente, líderes do crime fazem o que querem, matam quem querem matar, fazem sexo com quem lhes apraz, despacham nos seus escritórios, pedem telentrega de comida, bebida, celulares e armas, e saem facinho facinho.</p>
<p>Na Itália, não exatamente uma Suécia, Battisti foi condenado à prisão perpétua. Aqui, seria nomeado ministro.</p>
<p>Mesmo assim, o senhor La Russa está mal acostumado.</p>
<p>Ministro, mande pra cá todos os seus Battistis! Trocamos pelos nossos menores infratores a 10 por 1!</p>
<p>Todos os seus terroristas perigosos não chegam aos pés de um único pivete de Novo Hamburgo.</p>
<p><strong><span style="color: #888888;">[*O número de pessoas que o carinha que vai ser solto confessou ter matado estava errado. O post foi atualizado]</span></strong></p>
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		<title>Um passeio na escola do futuro</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 20:37:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentes casos de desrespeito e agressão de professores de escolas públicas – com a conivência da Justiça, muitas vezes – não são de maneira nenhuma espasmos isolados. Mostram uma tendência, escancaram as engrenagens ocultas do devir social, constituem-se num vislumbre muito claro do futuro que se avizinha. Futuro a que tive acesso, num momento de<a href="http://eduardonunes.org/escola/um-passeio-na-escola-do-futuro/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2435/3704307790_44b898f1c1.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Recentes casos de desrespeito e agressão de professores de escolas públicas – com a conivência da Justiça, muitas vezes – não são de maneira nenhuma espasmos isolados. Mostram uma tendência, escancaram as engrenagens ocultas do devir social, constituem-se num <strong>vislumbre muito claro do futuro que se avizinha</strong>. Futuro a que tive acesso, num momento de delírio – ou de excesso de lucidez&#8230; ainda não sei.<br />
No meu transe epifânico, me vi, como num passe de mágica, transportado a um futuro próximo, neste mesmo Brasil que hoje destruímos a marretadas decididas.</p>
<p>Visitei algumas escolas daquele Brasil vindouro. Lá, percebi que <strong>a grande maioria dos alunos ia fazer qualquer coisa, menos aprender</strong>. Uns eram constrangidos pelos pais a estarem lá, outros só queriam a merenda servida no recreio, outros batiam ponto no educandário para que sua família tivesse acesso ao pagamento de bolsas fornecidas pelo governo, alguns usavam a rede de contatos do mundo escolar para distribuir drogas e uns poucos compareciam às aulas por não terem nada melhor para fazer.</p>
<p>As escolas que vi não se pareciam com escolas, em absoluto. Os prédios assemelhavam-se àqueles das áreas de conflito que aparecem na TV. Prédios de áreas de conflito são característicos. Qualquer que seja a região, é sempre o mesmo o aspecto dos edifícios mostrados. Stalingrado em 1942, Saigon em 1972, Bagdá em 1991, Cabul em 2003. Assim, ou quase assim, eram – ou serão&#8230; viagens no tempo sempre geram uma confusão com os verbos – as escolas do futuro que vi. <strong>Vidros quebrados, paredes pichadas, portas e janelas arrebentadas, móveis inutilizados.</strong></p>
<p>Em um dos colégios que visitei, <strong>perguntei ao zelador que perversos vilões teriam empregado tal quantidade de energia para danificar estabelecimentos públicos de ensino</strong>. Visigodos? Cruzados? Nazistas? Marines? Orcs? Stormtroopers?</p>
<p>“Alunos” – respondeu o zelador.</p>
<p>Espiei uma das salas de aula daquela escola para ver com meus próprios olhos o comportamento de tão destrutivos estudantes. Naquele dia, dois professores tinham faltado ao trabalho (um estava de licença-saúde devido a uma síndrome do pânico derivada do quotidiano da profissão, outra entregava currículos em lojas de departamentos, já que tinha decidido trocar o magistério pela cultura de vendas). A falta de dois mestres fazia com que duas turmas precisassem ser atendidas concomitantemente com outras duas. Dois professores faziam o serviço de quatro.</p>
<p>Perguntei a um dos educadores se isso não tornava a aula um inferno naquelas quatro turmas. Ele disse que sempre era um inferno, e que a vantagem de se atender duas turmas ao mesmo tempo é que assim todos podiam ir embora mais cedo.</p>
<p>Os alunos, mesmo nas salas em que havia um professor dedicado exclusivamente a eles, não pareciam se importar muito com o mestre. Conversavam, riam alto, jogavam papéis e pedaços de giz uns nos outros e ocasionalmente no professor, trocavam bilhetinhos e, ao serem repreendidos pelo educador, respondiam com insultos e ameaças de agressão ou de processo judicial.</p>
<p>Numa das salas, um menino de 13 anos levou a cabo uma dessas ameaças e quebrou uma cadeira nas costas de uma professora.<strong> Depois de agredida, ela se levantou e perguntou ao agressor se ele tinha acertado a cadeirada exatamente onde queria acertar. </strong>Ele respondeu que sua intenção era atingi-la um pouco mais à esquerda, ela se desculpou por ser um mau alvo e pediu-lhe que tentasse de novo. Ele fez isso, ela foi parar na UTI do hospital em estado de coma e, ao acordar, sorriu aliviada ao ser informada que a família do seu algoz tinha decidido não registrar queixa contra ela.</p>
<p>Nesse momento, uma campainha começou a tocar. A professora não pareceu ter ouvido o som, mas eu ouvi, cada vez mais claro, até ser acordado, pelo despertador, do terrível pesadelo que tinha perturbado o meu sono. Enquanto me arrumava para ir para uma das escolas em que leciono, pensei no futuro que vislumbrei e  dei-me conta de que quase todas aquelas coisas já estão acontecendo.</p>
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		<title>O país em que se aplaude o infrator</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 13:07:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Dos muitos absurdos capazes de estarrecer qualquer pessoa que não seja brasileira (nós perdemos a capacidade de nos surpreender, tal a profundidade da fossa em que estamos imersos), um dos mais embasbacantes é a indiferença com que o poder público e parte da academia encaram a enorme quantidade de crimes cometidos por adolescentes dentro e<a href="http://eduardonunes.org/escola/o-pais-em-que-se-aplaude-o-infrator/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-209" title="DSC02335" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/09/DSC02335-1024x768.jpg" alt="DSC02335" width="614" height="461" /></p>
<p>Dos muitos absurdos capazes de estarrecer qualquer pessoa que não seja brasileira (nós perdemos a capacidade de nos surpreender, tal a profundidade da fossa em que estamos imersos), um dos mais embasbacantes é <strong>a indiferença com que o poder público e parte da academia encaram a enorme quantidade de crimes cometidos por adolescentes</strong> dentro e fora de nossas escolas.</p>
<p>Não estou falando de furtos, homicídios e colaboração com o narcotráfico. Falo de crimes igualmente previstos em lei, com punições e tal, mas que são tidos por aspones e pedabobos como &#8220;coisas normais de adolescente&#8221; .</p>
<p>Hoje, a Zerohora.com traz na capa do site a seguinte matéria:</p>
<p><a class="wp-caption-dd" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Geral&amp;newsID=a2661381.xml" target="_blank">Pais se queixam de punição dada a filho em escola de Viamão</a></p>
<p>O texto relata um crime ambiental (inafiançável, portanto) praticado em uma escola pública do alvissareiro município de Viamão (não foi na minha! eu juro!), onde um adolescente de 14 anos, aluno da sexta série (sim, da sexta &#8211; com essa idade)<strong> pichou o muro do estabelecimento. </strong>O requinte de crueldade: <strong><span style="color: #ff0000;">a superfície pichada pelo menor tinha sido recém pintada pela comunidade</span></strong>, como resultado de meses de campanha para arrecadação do dinheiro empregado na compra da tinta.</p>
<p>Constatada a pichação e identificado o pichador, uma das professoras do educandário tratou de tomar a medida socio-educativa mais branda: <strong>mandou-o pintar a área vandalizada.</strong> O pecado mortal cometido pela educadora: ela chamou o querido aluno de &#8220;bobo da corte&#8221; enquanto ele pintava o muro, e isso foi captado pelas câmeras de colegas que filmavam o nobre gesto do pichador. Os pais ficaram sabendo e foram exigir explicações. Afinal, agir como pichador e cometer um crime inafiançável é um ato justo e nobre. Chamar o autor de tal vilania de bobo da corte é a mais hedionda das maldades. Que maldita inversão de valores é essa?</p>
<p>Uma olhadela na lotada<a class="wp-caption-dd" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;template=3835.dwt&amp;rootdir=%2Fshared&amp;source=DYNAMIC%2Ccom.rbs.news.CommentDataServer%2CgetComments&amp;canalid=13&amp;artid=2661381&amp;url_article=http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf%3D1%26local%3D1%26section%3DGeral%26newsID%3Da2661381.xml&amp;titulo=Pais%20se%20queixam%20de%20puni%E7%E3o%20dada%20a%20filho%20em%20escola%20de%20Viam%E3o&amp;pg=1&amp;tp=10" target="_blank"> caixa de comentários da matéria da ZH </a>mostra que a imensa maioria dos leitores defendem a professora e criticam a permissividade dos pais que acobertam atos como esse.</p>
<p>********</p>
<p>Nossas escolas parecem um beco tirado de um filme policial nova-iorquino dos anos 80. Já mostrei, em um post anterior, o estado das paredes e das carteiras de uma das escolas em que trabalho. Se os vândalos que as picham quiserem fazer isso de novo, precisarão pedir à prefeitura carteiras novas e pintura nova nas paredes, ou usar tinta branca para pichar, pois <strong>já não há espaço para novos vandalismos.</strong> E por que isso acontece? Porque a pichação não vem sendo tratada como o que é: um crime.<strong> Cri-me. C-R-I-M-E.</strong></p>
<p>Não é brincadeira de criança. As leis (e as punições para os que as descumprem) existem para que a vida em sociedade seja possível. Isso não é autoritarismo; é entender que nem toda repressão é má. A<strong> repressão aos nossos instintos de destruição é uma condição sine qua non para a coexistência com nossos semelhantes.</strong></p>
<p>Além da pichação, vejo, todos os dias, <strong>muitos outros crimes sendo cometidos por adolescentes:</strong> agressão, extorsão (que outro nome merece o ato de obter vantagens dos colegas mediante ameaças de agressão?) , desacato a servidores públicos (acredite, isso é crime), atentado ao pudor, assédio sexual, difamação e calúnia, ameaças de todo tipo.</p>
<p>Se um adulto fizer todas essas coisas, ele está sujeito a ser processado, preso, punido com privação da liberdade, multa ou prestação de serviços públicos.</p>
<p>Quando um adolescente faz todas essas coisas (e eles fazem várias vezes por dia), o que acontece? Nada. E ainda temos que ouvir aspones nos dizendo que é preciso &#8220;aprender a conviver&#8221;, &#8220;entender o diferente&#8221;, &#8220;ouvir o que eles têm a dizer&#8221;.</p>
<p>É assim que se perpetua uma estrutura de violência. Façamos de conta que os criminosos não existem, e pode ser que um dia eles deixem de existir.</p>
<p>O Drummond que me perdoe pelo plágio, mas esta vida besta, meu Deus.</p>
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		<title>Queixas da escola do professor Belini</title>
		<link>http://eduardonunes.org/escola/a-escola-do-professor-belini/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 10:59:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[[Essa é uma parede do banheiro da escola a respeito da qual o professor Belini não tem qualquer queixa] Vejam só: o professor Belini Romanzini, representando a Secretaria Municipal de Educação de Viamão, deu a este blogueiro a honra da sua visita. Comentou o post sobre a disparidade entre duas escolas da rede municipal, em<a href="http://eduardonunes.org/escola/a-escola-do-professor-belini/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-143" title="DSC02331" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02331-1024x768.jpg" alt="DSC02331" width="614" height="461" /></p>
<p><strong>[Essa é uma parede do banheiro da escola a respeito da qual o professor Belini não tem qualquer queixa]<br />
</strong></p>
<p>Vejam só: o professor <strong>Belini Romanzini</strong>, representando a <a class="wp-caption-dd" href="http://www.viamao.rs.gov.br/portal/educacao.htm" target="_self">Secretaria Municipal de Educação de Viamão</a>, deu a este blogueiro a honra da sua visita.</p>
<p>Comentou <a class="wp-caption-dd" href="http://eduardonunes.org/2009/07/09/duas-escolas-dois-mundos/" target="_self">o post</a> sobre a disparidade entre duas escolas da rede municipal, em bom pedagoguês (idioma dos pedagogos) e, como não poderia deixar de ser, fechou com uma citação de auto-ajuda (no caso, o trecho de <a class="wp-caption-dd" href="http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/46989/" target="_self">uma canção da Legião Urbana</a>).</p>
<p>Do comentário do professor Belini, duas frases em especial me deixaram estarrecido:</p>
<p><strong>- Visitei a escola inúmeras vezes e encontrei um ambiente muito acolhedor, fui tratado com respeito e dignidade por todos, inclusive entrei em sala e dialoguei com os alunos.</strong><br />
<strong><br />
- Descobri nos alunos um grande potencial e um carinho muito grande pela escola e pelos educadores, <span style="color: #ff0000;">não houve nenhuma queixa, nenhuma mesmo.</span></strong></p>
<p>Será que estamos falando da mesma escola, professor Belini?</p>
<p>Não tiveste nenhuma queixa de lá? Nenhuma mesmo?<strong> Well, vamos tratar das queixas, então.</strong></p>
<p>No mês de março (no início do ano, quando tudo devia estar tranquilo e sereno), <strong>tivemos na escola uma reunião pedagógica com DUAS assessoras da SME. </strong>Enquanto as professoras e a direção despejavam sobre as assessoras dezenas de queixas, fiquei no meu canto, anotando os principais absurdos na agenda.</p>
<p>No fim da reunião, pedi um aparte e recitei para todos o resumo da conversa:</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Problemas identificados no mês de março:</strong></span></p>
<p>- Uma turma está com <strong>47 alunos</strong>. Isso numa sala onde cabem, com conforto, no máximo 30.</p>
<p>- A sala onde esta multidão tem &#8216;aula&#8217; estava, no fim de março, com carteiras faltando, de sorte que <strong>duas grandes mesas do refeitório</strong> tinham sido transferidas para lá, a fim de acomodar os alunos. <span style="color: #999999;">(OBS: com o tempo, o problema foi resolvido).</span></p>
<p>- A construção de uma nova sala de aula, no mínimo, tinha sido prometida em 2008 e ficou só na promessa.</p>
<p>- O laboratório de informática também ficou só na promessa. Até levaram alguns computadores para a biblioteca, mas eles continuam lá, sem funcionar.</p>
<p>- Em função do <strong>atrolhamento </strong>(tradução: coisas demais guardadas num lugar só), a biblioteca não podia ser usada. <span style="color: #999999;">(OBS: com o tempo, o problema foi mais ou menos resolvido).</span></p>
<p>- Não há livros didáticos suficientes para todos os alunos.</p>
<p>- Não tínhamos bibliotecário. <span style="color: #999999;">(OBS: Com o tempo, o problema foi resolvido)</span>.</p>
<p>- Os colchonetes usados nas aulas de Educação Física estão podres, nojentos, se desintegrando.</p>
<p>- O mato estava tomando conta do pátio da escola <span style="color: #999999;">(OBS: Com o tempo, o problema foi resolvido).</span></p>
<p>-<span style="color: #ff0000;"><strong> A escola não tem telefone</strong></span> porque a verba que o governo manda é insuficiente para pagar a taxa.</p>
<p>- A escola estava sem porteiro. <span style="color: #999999;">(OBS: Com o tempo, o problema foi  resolvido).</span></p>
<p>- Traficantes de drogas estavam sempre à espreita no portão da escola. <span style="color: #999999;">(OBS: Com a chegada do porteiro, problema resolvido, eu acho)</span>.</p>
<p>- Não há sala para exibir vídeos para os alunos.</p>
<p>- Não havia merenda na escola. <span style="color: #999999;">(OBS: Com o tempo, o problema foi resolvido).</span></p>
<p>- A estes problemas de março, acrescente-se o seguinte: as turmas da tarde estão <strong>há meses sem professor </strong>de Geografia e de Educação Física.</p>
<p>Depois de desfiar todas essas queixas, lembrei às assessoras da SME que, em <strong>todo final de ano letivo</strong>, a secretaria se estarrece com os altíssimos índices de reprovação e <strong>proíbe a escola de reprovar todos os alunos com baixo rendimento </strong>(<span style="color: #ff0000;">“Deem um jeito de recuperar!”</span>, nos ordenam sempre&#8230; e nós “damos um jeito”, transferindo os problemas para o ano seguinte). Pois bem, lá estava eu, <strong>no INÍCIO do ano</strong>, expondo alguns dos motivos que nos levam, no fim do ano, a ter tantos alunos com baixo rendimento.</p>
<p>**********<br />
Outra coisa que disseste, professor Belini, é que foste tratado com respeito por todos. Mais uma vez, a pergunta: será a mesma escola?</p>
<p>Claro que é!</p>
<p>É muito fácil tratar um visitante com respeito, principalmente quando ele ocupa um cargo importante.</p>
<p>Para sentir a realidade da escola, não basta aparecer por lá em dia de torneio de futebol (dia, aliás, em que um aluno tentou roubar um celular e algumas alunas levaram caipirinha e ficaram bêbadas&#8230; tu acompanhaste os casos, não?). <strong>É preciso entrar na sala de aula <span style="color: #ff0000;">como professor</span> da turma. </strong>Se fizesses isso, verias e ouvirias coisas diferentes&#8230;</p>
<p>Por exemplo, saberias que<span style="color: #ff0000;"><strong> a professora Fulana foi ameaçada de morte</strong></span> por um aluno.</p>
<p>Ou que <strong>uma aluna ameaçou a professora Beltrana</strong> de agressão.</p>
<p>Ou que dois alunos (da 5ª série) <strong>já ameaçaram me bater</strong> na rua.</p>
<p>Ou que somos, diariamente, desrespeitados, humilhados e agredidos verbalmente pelas pessoas que tentamos (pode acreditar, nós tentamos) educar.</p>
<p>Pode ser que tu digas agora, professor Belini, que os alunos nos tratarão com respeito se nós os respeitarmos também. Ora, eu sempre trato os alunos com respeito. Sempre tento mostrar-lhes que o respeito e a educação são um diferencial que eles devem ter e que pode ajudá-los a conquistar um lugar ao sol.<br />
Convido-te a assistir às minhas aulas, se quiseres comprovar.</p>
<p>Um abraço, professor Belini, e obrigado pela audiência.</p>
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		<title>Duas escolas. Dois mundos</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 12:40:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[As duas escolas em que trabalho, apesar de ficarem a menos de dois quilômetros uma da outra, parecem estar em dois mundos diferentes – e são a prova de que a educação só é possível com organização e disciplina da parte de todos os atores envolvidos no processo. O ambiente: Vilas Esmeralda e São Jorge,<a href="http://eduardonunes.org/escola/duas-escolas-dois-mundos/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As duas escolas em que trabalho, apesar de ficarem a menos de dois quilômetros uma da outra, parecem estar em dois mundos diferentes – e são a prova de que a<strong> educação só é possível com organização e disciplina </strong>da parte de todos os atores envolvidos no processo.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>O ambiente: </strong></span><strong>Vilas Esmeralda e São Jorge, em Viamão</strong>, cidade-dormitório da periferia de Porto Alegre. Um lugar mais ou menos assim:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-117" title="DSC02301" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02301-1024x768.jpg" alt="DSC02301" width="614" height="461" /></p>
<p>São comunidades parecidas, formadas por pessoas de baixo poder aquisitivo, com elevados índices de violência e criminalidade, forte e notável presença do tráfico de drogas etc, como acontece em tantas outras periferias brasileiras.</p>
<p>Num lugar desses, este é o aspecto normal de um posto de saúde, por exemplo:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-118" title="DSC02303" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02303-1024x768.jpg" alt="DSC02303" width="614" height="461" /></p>
<p style="text-align: left;">Pois bem. Em uma das referidas escolas, essa realidade de violência, permissividade e desorganização é reproduzida e até aprimorada. Na outra, a maioria desses problemas é barrada no portão de entrada.</p>
<h1><span style="color: #ff0000;"><strong>EMEF Território do Caos</strong></span></h1>
<p>O nome é fictício, mas tem excepcional valor descritivo. Observe, por exemplo, o <strong>cemitério de carteiras e cadeiras quebradas</strong> que fica nos fundos da escola:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-119" title="DSC02308" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02308-1024x768.jpg" alt="DSC02308" width="614" height="461" /></p>
<p><strong>Você já tentou quebrar uma cadeira ou uma carteira, leitor?</strong> Eu nunca tentei, mas imagino que a tarefa não seja das mais fáceis.</p>
<p>Tantos móveis inutilizados só podem significar duas coisas: <span style="color: #ff0000;">o</span><span style="color: #ff0000;">u a escola recebeu a visita de uma manada de búfalos, ou os alunos que a frequentam não têm muita intimidade com normas de conduta.</span></p>
<p>O mobiliário não é a única vítima da violência nesse educandário. Os alunos também quebram <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3703512409/in/set-72157621171628822/" target="_blank">portas</a>, <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3703498409/in/set-72157621171628822/" target="_blank">vidros</a>, <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3703507969/in/set-72157621171628822/" target="_blank">divisórias de banheiro</a>, canos; picham <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3703508927/in/set-72157621171628822/" target="_blank">paredes</a> e <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3704318304/in/set-72157621171628822/" target="_blank">carteiras</a>.</p>
<p>À noite, um dos passatempos dos moradores da vila parece ser apedrejar a escola, quebrando telhas e vidraças:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-120" title="DSC02305" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02305-1024x768.jpg" alt="DSC02305" width="614" height="461" /></p>
<p>Pelo vidro quebrado, podemos ver o rosto de Paulo Freire, num banner em que está escrito:<br />
<strong><span style="color: #ff0000;"><br />
“&#8230;Escola é, sobretudo, gente,<br />
gente que trabalha, que estuda,<br />
que se alegra, se conhece, se estima&#8230;”</span></strong></p>
<p>Meu amigo Paulo Feire, você já visitou esta escola? Se visitasse, veria coisas como essas:</p>
<p><span style="color: #ff0000;">- Uma das salas de aula passou quase todo o ano de 2008 sem porta. As dobradiças foram simplesmente arrebentadas por impacto (s) de natureza ignorada.<span style="color: #000000;"><strong> Quem quebrou a porta?</strong></span> Não se sabe. Que <strong><span style="color: #000000;">medida socioeducativa</span></strong> foi tomada? Nenhuma.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">- Numa tarde deste ano, estávamos na sala dos professores no fim do recreio, quando uma aluna bateu na porta. Ao ser atendida pela vice-diretora, a menina foi logo gritando: <span style="color: #000000;"><strong>“Sôra, tão batendo no Fulano!”</strong></span> Que atitude tomou a educadora? Apenas disse: <strong><span style="color: #000000;">“Tá, já vou dar o sinal, pra vocês irem pra sala”</span></strong>. E simplesmente encerrou o recreio, como se o espancamento não tivesse ocorrido, como se não fosse necessário identificar e punir os culpados. </span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">- Num sábado letivo (desses em que nada se faz, apenas para o presidente poder se gabar de ter 200 dias no calendário escolar), alunos vieram correndo informar que <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/3703512409/in/set-72157621171628822/" target="_blank">um colega tinha dado um pontapé em uma porta e arrebentado o marco</a>, tornando inútil a fechadura. A<strong>divinhe o que foi feito&#8230; Nada.</strong> A porta continua inutilizada e o infrator, que sequer foi identificado (ou, se identificado foi, não sofreu punição), aprendeu as maravilhas da impunidade. </span></p>
<p><strong>Como uma escola chega a tal nível de degradação?</strong></p>
<p>Quando cheguei lá, no início de 2008, percebi que <strong>a direção e o grupo de professores estavam em guerra. </strong>Intrigas e ranços pessoais geram um clima de má vontade de ambos os lados, o que impossibilita qualquer pacto, qualquer trabalho integrado.</p>
<p>Não há referencial,<strong><span style="color: #ff0000;"> não há regras claras e unívocas</span></strong>, não há diálogo entre os segmentos da comunidade escolar. Em caso de problemas, não há a quem recorrer e, quando se recorre à equipe diretiva, ouve-se respostas desse tipo:</p>
<p><span style="color: #ff0000;">“Eduardo, os nossos alunos são filhos de traficantes, são irmãos de presidiários. Nós não podemos bater de frente com essa gente.”<span style="color: #000000;"> (dito pela diretora, que, aliás, entrou em licença-saúde e provavelmente não voltará ao cargo)</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">“Eu não vou fazer mais nada em relação ao Fulano (aluno com graves problemas de conduta)”.</span> (dito pela orientadora, em reunião pedagógica).</p>
<p>O leitor corajoso que chegou até aqui pode estar se perguntando: <strong>“Por que raios esse cara não sai dessa escola?” </strong></p>
<p>Ora, pergunte ao secretário de Educação.</p>
<p>Pedi transferência no final do ano passado. A Secretaria não me deixou sair totalmente; apenas reduziu a minha carga horária lá em 10 horas, mandando-me cumprir esses períodos em outra escola, tão perto e tão distante da EMEF Território do Caos.</p>
<h1><span style="color: #3366ff;">EMEF São Jorge </span></h1>
<p>É comum que as pessoas que visitam a escola São Jorge exclamem coisas como<strong> “Nem parece escola pública!”</strong> ou “Parece escola particular!”</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-121" title="DSC02298" src="http://eduardonunes.org/wp-usr-upload/2009/07/DSC02298-1024x768.jpg" alt="DSC02298" width="614" height="461" /></p>
<p>A vila São Jorge também é pobre e problemática, mas as paredes e móveis da sua escola não estão pichados, os banheiros estão bem conservados, têm espelhos intactos, azulejos brilhando nas paredes e, pasmem, <strong><span style="color: #3366ff;">sabonetes nas pias!</span></strong></p>
<p>As portas e janelas estão intactas e não há uma montanha de carteiras e cadeiras quebradas nos fundos. Não há espancamentos no recreio.</p>
<p>Será a escola freqüentada por anjos? Não. Lá também há alunos agitados e mal-educados, também há problemas, mas<strong> <span style="color: #3366ff;">a diferença é que esses problemas são imediatamente identificados e tratados.</span></strong></p>
<p>A equipe diretiva, professores, funcionários, pais e alunos trabalham juntos em prol do bem comum. Não por boa vontade e abnegação, mas porque <span style="color: #3366ff;"><strong>as normas de conduta foram definidas em conjunto e são constantemente lembradas.</strong></span> Todos os segmentos da comunidade escolar são orientados a seguir as regras.</p>
<p>Na EMEF São Jorge, diferente de outras escolas, foi estabelecido o seguinte pacto: <span style="color: #3366ff;"><strong>o normal é que as coisas funcionem bem. Os problemas são exceção.</strong></span> Por exemplo, todos os alunos sabem que as carteiras têm de estar limpas. Quando uma é pichada, todos sabem que isso foge à normalidade – e o pichador é localizado e sofre a medida socioeducativa prevista nas normas de conduta.</p>
<p>Quando um professor, aluno ou funcionário é agredido verbalmente, todos sabem que isso é um desrespeito às normas de conduta – e o infrator já sabe que o deslize não vai passar em branco.<span style="color: #3366ff;"><strong> Lá não existe a cultura do “Não dá nada.”</strong></span></p>
<p>Os alunos da São Jorge também têm parentes e/ou amigos traficantes e presidiários, mas lá ninguém da equipe diretiva diz <span style="color: #3366ff;">“Não podemos bater de frente”</span>, pois <span style="color: #3366ff;"><strong>a lógica é outra: <span style="color: #000000;">o infrator é que está batendo de frente</span></strong><strong> com a instituição chamada escola.</strong></span> Assim, a agressão a um colega é tratada como uma agressão à escola. A pichação é tratada como uma agressão à escola. Matar aulas é tratado como uma agressão à escola. Portar celular na sala de aula é tratado como uma agressão à escola.</p>
<p>Os professores da São Jorge também têm regras rígidas de conduta. Por exemplo,<span style="color: #0000ff;"><strong> todos os dias dois mestres passam o recreio no pátio</strong></span>, fiscalizando o comportamento dos alunos. Em outras escolas, tal medida geraria um motim. <span style="color: #ff0000;">“O meu intervalo é sagrado!”</span>, já ouvi uma professora bradar, alhures. Pois bem, na São Jorge a norma foi sacramentada no Projeto Político Pedagógico e, graças a ela, <span style="color: #0000ff;">os alunos sabem que estão sendo observados e não se comportam como uma manada de búfalos.</span></p>
<p>Infelizmente, uma escola assim é exceção na rede pública. Mas o seu exemplo mostra que ainda há esperança para a educação no Brasil.</p>
<p><strong>[Para ver um slideshow com fotos das duas escolas, clique <a class="wp-caption-dd" href="http://www.flickr.com/photos/eduardovski/sets/72157621171628822/show/" target="_blank">aqui</a>]</strong></p>
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